sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Acordar de mau humor todos os dias não é normal

O auxiliar de almoxarife Rafael Sales Batista dos Santos, de 19 anos, acorda às 5h30, tenso, processando na mente tudo o que vai enfrentar no dia. “Penso que tenho que levantar muito cedo, penso no trânsito, no trabalho, em tudo que irei fazer e fico mal-humorado”, diz. Até as nove da manhã, nada de conversa; apenas o que for obrigatório. “Só respondo sim e não. É devagar que vou voltando ao normal, isso se ninguém mexer comigo durante esse período.” Para distrair, Santos ouve música. Se não ouvisse, afirma, talvez demorasse mais para melhorar. 

Santos sofre de mau humor matinal, problema que atrapalha e incomoda não apenas ele, mas também quem está à sua volta. Como o auxiliar de almoxarife, o estudante Daniel Torresan Marcelino, de 18 anos, diz que acorda mal-humorado desde criança. “Aprendi a me controlar por causa da família, mas evito conversar ou falar, porque fico nervoso por qualquer coisa”, conta. Quanto mais cedo acorda, pior ele se sente. “Por ser grosseiro, já cheguei a brigar, mas não faço mais isso. É engraçado como a família encara. Depois de um tempo acordado, meu irmão simplesmente pergunta: ‘E aí? Já passou?’. Em casa, só eu acordo assim.” Daniel diz que quando viaja ou está em férias, levanta-se da cama mais tranqüilo, sem a “nhaca” que o acompanha diariamente. 

Geralmente, o mau humor logo nas primeiras horas da manhã tem a ver com sono ruim, explica o psiquiatra Evandro Gomes de Matos, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). E são vários os motivos da noite maldormida. Alguns leves, como uma ansiedade natural; outros sérios, como a depressão. “Se a pessoa acorda sistematicamente com esse mal-estar, é preciso pesquisar as causas. Pode ser que nem mesmo ela saiba a razão. Qualidade do sono é fundamental; já a quantidade de horas é variável”, afirma. De seis a dez horas é considerado um período normal, pondera o médico. Segundo Matos, quem tem uma boa noite de repouso costuma acordar bem. 

Michele Médola 
DA AGÊNCIA ANHANGÜERA

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Cérebro de psicopatas tem diferenças estruturais e funcionais

Adivinha quem tem conectividade reduzida entre uma área do córtex pré-frontal e a amígdala? Os psicopatas.
Um estudo que fez imagens dos cérebros de presos mostra diferenças importantes entre aqueles que são diagnosticados como psicopatas e aqueles que não são. Na imagem acima, o córtex pré-frontal (PFC) está em vermelho, a amígdala em azul, e a via de substância branca que liga as duas estruturas (o fascículo uncinado) é mostrada em verde.
Os resultados podem ajudar a explicar o comportamento insensível, antissocial e impulsivo exibido por alguns psicopatas.
O estudo mostrou que os psicopatas têm conexões reduzidas entre o córtex pré-frontal ventromedial (vmPFC), a parte do cérebro responsável por sentimentos como empatia e culpa, e a amígdala, que media o medo e a ansiedade.
Dois tipos de imagens cerebrais foram coletadas. Imagens de difusão tensor (DTI) mostraram redução da integridade estrutural das fibras de substância branca que ligam as duas áreas, enquanto que um segundo tipo de imagem que mapeia a atividade cerebral, uma imagem de ressonância magnética funcional (fMRI), mostrou menos atividade coordenada entre os vmPFC e a amígdala.
“Essas duas estruturas no cérebro, que regulam o comportamento social e a emoção, parecem não estar se comunicando como deveriam”, diz o pesquisador do estudo, Michael Koenigs.
O estudo comparou o cérebro de 20 presos com diagnóstico de psicopatia com os cérebros de 20 outros presos que cometeram crimes semelhantes, mas não foram diagnosticados com psicopatia.
A combinação de anormalidades estruturais e funcionais fornece evidências convincentes de que a disfunção observada neste circuito sócio-emocional é uma característica estável dos criminosos psicopatas.
Os cientistas acreditam que a pesquisa mostra que há uma anormalidade específica do cérebro associada com a psicopatia criminal. Sendo assim, o estudo pode lançar mais luz sobre a origem dessa disfunção, e estratégias para tratar o problema.[ScienceDaily]

A culpa é do álcool? Talvez não

É uma armadilha que a maioria de nós cai: fazer uma decisão precipitada ou lamentável depois de algumas cervejas. A culpa é da bebida, certo?
Um novo estudo mostra como o cérebro processa os erros na presença de álcool.
Em uma descoberta que vai contra o pensamento mais comum, verifica-se que ainda sabemos que estamos cometendo um erro quando estamos intoxicados. Nós simplesmente não nos importamos tanto.
As pessoas não assumirem que estão bêbadas é uma boa desculpa para fazer coisas que não deveriam estar fazendo. Não é porque elas fazem coisas bêbadas sem estar cientes de seu comportamento, mas sim parecem não se incomodar com as implicações ou consequências.
A pesquisa veio para clarear uma área de ambiguidade sobre o cérebro: será que a força da ERN – ou negatividade relacionada ao erro, “sinal de alarme” ativado no cérebro quando se comete erros – muda com a presença de álcool? Alguns trabalhos de investigação em 2002 concluíram que a intoxicação reduzia a capacidade do cérebro de detectar erros.
No entanto, o novo estudo desafiou essa suposição, perguntando se é possível que a capacidade continue a mesma, com o álcool apenas mudando a reação do cérebro, reduzindo a angústia que normalmente acompanha os erros.
No estudo, 67 pessoas com idades entre 21 e 35 anos foram divididas em três grupos. Enquanto dois dos grupos receberam um placebo (com 5% de álcool), ou apenas tônico simples, o terceiro grupo recebeu bebidas alcoólicas – 50% de álcool. Os participantes no terceiro grupo chegaram a um nível de álcool no sangue de cerca de 0,09% – acima do limite legal de condução. Os outros dois grupos mantiveram-se em 0,00%. Todos os participantes foram, então, encarregados de completar uma tarefa desafiadora no computador.
A equipe observou que, enquanto todos os grupos cometeram erros, aqueles que haviam consumido álcool eram menos propensos a perceber seus erros. Os bebedores também foram menos propensos a desacelerar depois de um erro.
No entanto, além de monitorar seu desempenho no computador, também foi medido o humor dos sujeitos.
Sem surpresas, o grupo do álcool relatou se sentir menos desanimado (por mais engraçado que pareça, o grupo que recebeu o placebo tinha um humor mais negativo). Usando essas medições, a equipe foi capaz de demonstrar uma correlação entre o humor dos participantes e a força do ERN. Um clima menos negativo se igualou a um ERN menos riogoroso.
Os resultados representam um passo importante na compreensão de como o álcool afeta o cérebro – e dos erros cometidos por pessoas que tomaram um par de cervejas.
O estudo também está buscando testar se a atividade cerebral relacionada ao erro também irá produzir mudanças em outras partes do cérebro quando as pessoas tentam corrigir seus erros. No que promete ser uma atividade de entretenimento sem fim para os assistentes de pesquisa, uma ressonância magnética funcional (imagens que medem a atividade cerebral) deve ser feita com os participantes do estudo.
E nada de por a culpa no álcool a partir de agora

Compostos da maconha podem ter efeitos contrários no cérebro

Dois componentes da maconha têm efeitos opostos em algumas regiões do cérebro. Um produto químico, chamado tetraidrocanabinol (THC), aumenta os processos cerebrais que podem levar a sintomas de psicose – como alucinações ou delírios. Enquanto isso, outro composto, chamado canabidiol (CBD), pode “negar” esses sintomas, como indica um novo estudo.
Os resultados do novo estudo realizado em Londres são os primeiros a usar imagens cerebrais para demonstrar a razão pela qual sintomas de psicose surgem em usuários de maconha. De acordo com pesquisadores, o principal motivo disso acontecer pode ser o THC, que interfere na capacidade cerebral de distinguir quais são os estímulos importantes – o que os pesquisadores chamam de uma anormal atribuição de relevância.
Pesquisas anteriores descobriram que o THC pode induzir sintomas de psicose em pessoas saudáveis e piorar os sintomas em pessoas que já tem problemas psiquiátricos. O novo estudo ainda indica que, a longo prazo, o consumo de maconha pode estar associado ao aumento do risco de esquizofrenia.
O estudo mostrou que homens que ingerem THC apresentam aumento da atividade cerebral na região chamada de córtex pré-frontal, mas menor atividade na região do corpo estriado. É possível que essas mudanças aconteçam porque os níveis de THC alteram o neurotransmissor dopamina.
Essas alterações parecem ser decisivas nas características fisiopatológicas da psicose, segundo os pesquisadores. Isso é consistente com evidências de que o corpo estriado e o córtex pré-frontal são alterados durante o processamento de pacientes com psicose, indivíduos com risco altíssimo de psicose e pessoas em estado psicótico induzido por drogas.
Por outro lado, os efeitos que o CBD ocasionava no cérebro sugerem o oposto sobre os sintomas psicóticos. De acordo com outros estudos, os resultados sugerem que o composto pode ter potencial para ser um antipsicótico, influenciando a circulação sanguínea no cérebro. [LiveScience]

Prozac: antidepressivos funcionam melhor quando aliados a terapia psicológica

Muitas pessoas já tomaram fluoxetina, vendida sob a marca Prozac, um antidepressivo famoso que ajudou muitos casos.
Porém, a droga teve resultados variados em sua história e sua eficácia já foi questionada. Agora, um novo estudo com ratos reforça descobertas recentes de que a fluoxetina, por si só, não oferece um forte benefício, a menos que seja acompanhada por uma terapia cognitiva.
“A combinação de antidepressivo e terapia de exposição psicológica produziu um efeito benéfico que não foi atingido por um ou outro tratamento sozinho”, disse o autor do estudo, Eero Castrén.
No estudo, os pesquisadores deram fluoxetina a metade dos ratos. Em seguida, os condicionaram a ter medo de um ruído, dando-lhes um pequeno choque quando os animais o ouviam.
Após o condicionamento do medo, alguns dos ratos receberam o que os pesquisadores chamam de “terapia de extinção” – os pesquisadores reduziram o medo dos ratos do ruído, não dando o choque quando eles o ouviam.
Na fase final do experimento, os pesquisadores deram choques nos ratos cinco vezes sem o ruído. No dia seguinte, eles soaram o barulho para ver como os ratos reagiriam, examinando seus cérebros.
Ratos que tinham sido tratados com fluoxetina e terapia de extinção tiveram respostas diferentes no cérebro para o barulho, e foram menos propensos a congelar quando ouviram o ruído na fase final do experimento do que ratos que receberam apenas um dos dois tratamentos.
Cerca de 15% dos ratos que tinham sido submetidos a terapia de extinção e receberam fluoxetina congelaram em resposta ao ruído, enquanto pouco menos de 40% daqueles que não tomaram a droga congelaram.
Enquanto isso, pouco mais de 40% dos ratos que receberam a droga, mas nenhuma terapia, congelaram, enquanto os ratos que não receberam a droga nem fizeram terapia congelaram a uma taxa de cerca de 60%.
Embora o estudo tenha sido feito com ratos, ele confirma e ajuda a explicar descobertas que, em pessoas, a terapia de conversação ou a droga sozinha é menos eficaz do que as duas juntas.
A conclusão é de que tratamento psicológico combinado com a terapia antidepressiva está associado a uma maior taxa de melhora da doença. Segundo os pesquisadores, faz todo o sentido que o sistema nervoso tenha de ser receptivo à mudança da droga com a terapia.
Tornar o sistema nervoso mutável, mas não fornecer qualquer exposição ou experiência terapêutica que irá “informar essa mudança” pode fazer do sucesso improvável.
O novo estudo reforça a evidência de que os antidepressivos funcionam afetando o crescimento e a religação dos neurônios no cérebro, o que explicaria por que os medicamentos parecem funcionar melhor durante um período prolongado.
Mas também sugere que, se os antidepressivos estão “religando” o cérebro, o cérebro precisa de orientação nesse processo (com a terapia).
Os pesquisadores explicam que a terapia de reabilitação deve ser considerada em todos os casos que drogas antidepressivas estiverem sendo usadas.[LiveScience]