sexta-feira, 30 de março de 2012
sexta-feira, 23 de março de 2012
O QUE É TERAPIA COGNITIVA?
A terapia cognitiva é uma abordagem que foi desenvolvida por Aaron Beck e colaboradores na década de 50, enquanto conduziam estudos empíricos para comprovar princípios psicanalíticos, na Universidade da Pennsylvania em Philadelphia. A partir desses estudos Beck propôs um modelo de depressão, que com o aperfeiçoamento em sua teoria passou a ser aplicado como um novo sistema de psicoterapia, a TC.A TC baseia-se no pressuposto de que os afetos e os comportamentos de um indivíduo são determinados em grande medida pelo seu modo de estruturar o mundo (Beck 1970-76). Ou seja, a experiência pessoal nos leva a formar explicações próprias sobre o que acontece conosco. Cada indivíduo tem a sua própria forma de ver a si mesmo, o mundo e as pessoas. Essas explicações formam nosso sistema de valores e crenças. Geram-se então os chamados pensamentos automáticos negativos que invadem a mente das pessoas, em geral associada a emoções desagradáveis, e comportamentos indesejáveis. Isso acontece porque a pessoa ao dar uma explicação a uma determinada situação considera apenas as evidências que favorecem seus pensamentos negativos, esquecendo de avaliar as evidências ao contrário. Quando a pessoa aprende a considerar e avaliar as evidências contrárias ao seu pensamento, poderá entender a mesma situação de uma forma menos conflituosa.
Quando nossas explicações tomam o caminho do pessimismo - "A culpa é minha. Meu chefe me acha incompetente. As pessoas vão rir de mim. Vou passar mal na frente das pessoas. Sou péssima mãe. Não sei fazer as coisas direito. Meus colegas são melhores que eu. Sou um fracassado.", - apresentamos emoções desagradáveis (tristeza, raiva, ansiedade) e nosso comportamento também não será nada satisfatório (ficamos paralisados, evitamos a situação, desistimos, etc). Quando nossos pensamentos nos levam a ter explicações realistas, fica mais fácil atingir a meta estabelecida.
Podemos dizer que não é uma situação que determina as emoções e comportamentos de um indivíduo, mas sim suas cognições (pensamentos) ou interpretações a respeito dessa situação. O que você pensa quando as coisas não dão certas, determinarão o que você vai sentir em seguida e o que vai acontecer depois: se você vai desistir ou se vai fazer com que as coisas dêem certas. Portanto, a explicação que cada pessoa tem a respeito das situações pode ser responsável pela vitória ou pela derrota. Força de vontade apenas não são suficientes para alcançar o sucesso. É necessário ter uma boa estrutura cognitiva para superar os obstáculos.
O trabalho do psicólogo Cognitivo é, buscar em colaboração com o paciente, a reestruturação de seus pensamentos, a partir de uma conceituação cognitiva de si e de seus problemas.
Modelo Cognitivo
O que eu penso no momento em que as coisas acontecem comigo, vai determinar as emoções que vou sentir em seguida (raiva, ansiedade, tristeza ou tranqüilidade) assim como o comportamento que terei (desistência, paralisação, continuação pra fazer dar certo).
Cognições → Emoções → Comportamento
Identificando Pensamentos
• SITUAÇÃO: (O que você estava fazendo no momento em que sentiu seu humor mudar?).
• EMOÇÃO: (O que você sentiu? Raiva, tristeza, ansiedade, medo, culpa?)
•Cognições Pensamento Automático Negativo PAN: (O que você pensou no momento em que essa coisa ruim aconteceu? O que você disse pra você mesmo que o deixou com essa emoção desagradável?).
• COMPORTAMENTO: (O que você fez em seguida?)
EXEMPLO:
• SITUAÇÃO: No trabalho fazendo meu relatório. O chefe chega fazendo críticas dizendo que eu já deveria ter terminado.
• EMOÇÃO: raiva.
• COGNIÇÕES (PENSAMENTO AUTOMÁTICO NEGATIVO): - Que cretino, por que esta pressa toda? Ele não gosta do meu trabalho, vai me demitir.
• COMPORTAMENTO: Fiz cara feia para meu chefe, perdi a concentração e demorei ainda mais para entregar o relatório.
Pode ser diferente?• Sim, pode. Basta aprender em conjunto com seu terapeuta, como identificar esses pensamentos, contesta-los e modifica-los de acordo com a realidade, sem distorções. Através da descoberta das crenças, dos comportamentos e emoções negativas que impedem o paciente de atuar satisfatoriamente em seu cotidiano, comprometendo seu bem estar, e através da busca de recursos internos para enfrentar seus problemas, o paciente vai aos poucos mudando as cognições a respeito de si mesmo, do mundo e do futuro, aprendendo a gerar alternativas e controlar as suas próprias emoções resolvendo seus problemas autonomamente.
Cleonice Andrade
Psicologa/terapia cognitiva
CRP: 12/04023
Cleonice Andrade
Psicologa/terapia cognitiva
CRP: 12/04023
Tel: 47- 30288083
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
MEDO DE DIRIGIR
Por Cleonice Andrade
Rotina para alguns, problema e angustia para outros. Várias são as pessoas que procuram ajuda de profissionais especializados por não conseguir dirigir. Antes mesmo de chegar perto do carro essas pessoas apresentam sentimentos desagradáveis que aumentam à medida que vão se aproximando do veículo. Há uma invasão de pensamentos negativos catastróficos em suas mentes e acreditam na validade desses, sem mesmo questioná-los ou desafiá-los. Esses pensamentos os levam a experimentar sintomas como: taquicardia, respiração curta, sudorese, incapacidade de relaxar, nervosismo e tremedeira que chamamos de ansiedade, vindo acompanhada do comportamento de evitação. Comportamento este que impede essas pessoas de descobrirem o quanto catastróficas foram e que nada do que imaginaram aconteceu.
O medo de dirigir geralmente está relacionado a aspectos ansiogênicos dentro da fobia especifica. Mas é necessário uma cuidadosa avaliação pois ela pode também aparecer como sintoma de várias outras psicopatologias como: transtorno de estresse pós-traumático, transtorno do pânico, fobia social, agorafobia, e transtorno obsessivo compulsivo. Muitos chegam no consultório para tratar seu medo de direção quando na verdade esse problema se estende para outras situações. O percentual de pessoas com esse problema vem aumentando no decorrer dos anos. Provavelmente todos têm conhecidos, parentes ou amigos com medo dirigir. Muitos até conseguiram tirar a carteira de motorista mas nunca pegaram o carro. O fato delas serem responsáveis pela direção de um veículo as tornam inseguras. Elas acreditam que se há uma pequena possibilidade de algo ruim acontecer então é provável que realmente aconteça. Outros motivos que as mantêm longe do veículo estão relacionados à: medo de ser observado, avaliado, criticado, rejeitado e punido ou então ter passado por uma situação traumática no passado.
Piccoloto e colaboradores (2007) afirmam que a terapia cognitiva comportamental é o tratamento mais indicado para transtorno de ansiedade até então. Trata-se de uma abordagem que tem mostrado bons resultados. Sua eficácia é cientificamente comprovada e faz com que as pessoas superem seus medos com técnicas de relaxamento e de exposições, além dos desafios de pensamentos. Os pacientes são incentivados a pensar no medo em termos de pensamentos, sentimentos e comportamentos. De acordo com a terapia cognitiva de Aaron Beck (1960), não é a situação que determina a emoção, mas sim, a forma como a interpretamos. Segundo ele, quanto mais próximo da realidade pensamos, melhor nos sentiremos. Pensamentos realistas neutralizam as emoções que facilitam e influenciam na resolução de problemas.
Exemplos de pensamentos que povoam a mente dessas pessoas são: “e se eu perder o controle do carro? E se eu bater o carro? E se eu ferir alguém? E se eu sofrer ou causar um acidente grave? E se eu ficar com seqüelas de um acidente? E se eu não conseguir? E se os outros motoristas não prestarem atenção? Os outros motoristas vão se irritar comigo. Os outros motoristas pensarão que não sei dirigir. Vou me perder. Vou entrar em um congestionamento. Meu carro vai quebrar. As condições da estrada são perigosas“, e assim segue. Pensamentos apreensivos acompanhados de muita angústia e sofrimento. Muitas pessoas sentem pânico ao pensar em dirigir, e nem se dão conta que seus pensamentos são catastróficos, distorcidos além de disfuncionais. Também não se dão conta que enquanto vivem, em sua rotina, assumem vários riscos com probabilidades até maiores de ocorrer e nem por isso apresentam comportamento evitativo. Elas fazem isso o tempo todo; andam na rua e correm riscos de serem atropeladas, assaltadas ou agredidas e nem por isso deixam de sair de casa. Nesses casos são realistas. Podemos usar esse mesmo princípio para o medo de dirigir.
É importante que essas pessoas aprendam, antes de tudo, novas habilidades de lidar com essas situações e junto com seu terapeuta reestruturar-se cognitivamente. Utilizar formas alternativas e mais funcionais de pensar e agir diante das situações temerosas, solucionar problemas, construir estratégias e adquirir habilidades de enfrentamento, além de prevenir recaídas. O tratamento é bastante eficaz. Portanto, vencer o preconceito, ter consciência do problema e pedir ajuda ao especialista é um grande passo para a superação e recuperação.
Cleonice Andrade
Psicóloga Clinica especialista/ Terapia Cognitiva Comportamental
CRP:12/04023
e-mail: cleo_psico@yahoo.com.br
Rua Ministro Calógeras, 708 – 2º andar.
Joinville – SC
Telefone: 47-3028-8083
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
SINDROME DE OTELO: CIUME PATOLÓGICO
Por Cleonice Andrade
Otelo, o mouro de Veneza, é uma obra de William Shakespeare escrita em torno de 1603. A história gira entre quatro personagens, Otelo, sua esposa (Desdêmona), o tenente Cassio e o suboficial Iago. História em que muitas pessoas se identificam ainda na atualidade. Trata-se de traição, inveja, amor e racismo. Iago odiava Cassio e Otelo começou então a semear discórdia, jogando um contra o outro. Induziu Otelo a acreditar que sua esposa estava tendo um caso com Cassio. Otelo enciumado começou a colher evidencias e desconfiar de Desdêmona. Evidencias estas criadas por Iago que jurando lealdade ao seu general prometeu vingança e matar Cassio, tentativa mal sucedida, pois conseguiu apenas feri-lo. Otelo totalmente descontrolado procurou sua esposa e asfixiou-a até a morte. Em seguida, esposa de Iago confessou todo o plano de seu marido para destruí-lo, mas quando ele descobriu a inocência da esposa já era tarde.
A peça de Shakespeare traduz um acontecimento que se repete ainda nos dias de hoje. De todos os tormentos que afligem o ser humano, o ciúme é um dos mais difíceis de tolerar e de controlar. Vários relacionamentos acabam em morte, mas isso não acontece somente nos casos mais graves. Nenhum relacionamento está livre de desconfianças. O sexo está cada vez mais presente na vida das pessoas sem muito esforço para conseguir. Essa liberdade sexual favorece esse sentimento tão devastador. Basta assistirmos o noticiário para percebermos que o ciúme passional tem aumentado. Os prejuízos causados são graves, moderados e leves, mas todos acompanhados de muito sofrimento para todos os envolvidos.
O que significa o ciúme patológico? É um sentimento humano muito comum que se manifesta praticamente em todas as pessoas. O que diferencia o normal do patológico é a intensidade com que essa emoção se apresenta e o grau de prejuízo causado na vida de alguém. Trata-se de uma reação perante uma ameaça percebida de perder uma relação muito valorizada, é o medo de perder alguém que ama. Pode envolver três ou mais pessoas e o objetivo do ciumento é eliminar todos os riscos que possam levar a perda do objeto amado.
Na psiquiatria o ciúme aparece como sintoma em diversos transtornos psicológicos, enquanto o ciúme normal é passageiro o patológico é desproporcional, intenso, absurdo, acompanhados de comportamentos bizarros, agressivos e escandalosos. Nesse tipo de ciúme há uma mistura de emoções como vergonha, ansiedade, raiva, depressão, humilhação, culpa. O ciumento(a) sente-se inseguro(a), vulnerável, sensível, com baixa auto-estima e baixa autoconfiança, desconfiado(a), não acredita que pode ser verdadeiramente amado(a), aceito(a) e valorizado(a) e tem muito medo de ficar sozinho(a). Essa pessoa vive em estado de alerta, procurando nas carteiras e bolsos ou bolsas provas que comprovem seus pensamentos, investigando, ouvindo telefonemas, olhando celular, procurando evidencias de traição nas roupas do outro, descobrindo senhas e acessando as redes sociais do parceiro (a) e até respondendo e-mails suspeitos, há verificações compulsivas em função de suas dúvidas. Algumas pessoas ainda contratam detetives, brigam muito e cobram com muitos questionamentos, tudo para amenizar seu sentimento desconfortável. Mesmo sabendo que são atitudes infantis e ridículas, além de provocar sofrimento e irritação no parceiro(a) ainda assim a pessoa não consegue minimizar esses comportamentos que continuam até o relacionamento terminar caso não haja tratamento. Como ela não acredita ser digna de amor e experimenta um sentimento de ”como se fosse descartável”, as interpretações que faz das situações são facilmente distorcidas. Acredita nas primeiras interpretações que vêm a sua mente sem questioná-las e impulsivamente responde a essas situações com comportamentos baseados em pensamentos que para ela parecem verdadeiros. As vezes distorce até mesmo situações que poderiam ser consideradas por outros uma demonstração de amor. Por exemplo: o namorado oferece um boque de rosas, enquanto um interpreta essa atitude como sendo um sinal de amor, o ciumento pode interpretar que o parceiro está fazendo isso porque “deve ter aprontado alguma”. Aqui as dúvidas são verdadeiras, não há talvez e sim certeza. Estão sempre buscando algo que possa confirmar suas suspeitas estragando assim o que mais tentam defender, a sua felicidade e paz. Certamente tentar manter um relacionamento duradouro com comportamentos de ciúme não a melhor estratégia.
Há evidencias e estudos comprovados que a terapia cognitiva comportamental é uma das abordagens mais indicadas para esses casos. Não desmerecendo outras abordagens que também podem ajudar. O ciúme patológico é um problema que atinge milhares de pessoas, é tratável e com grandes possibilidades de melhora. Porém é importante mencionar que prestem atenção na escolha do profissional, este deve ser qualificado, experiente e treinado. Antes de acabar com um relacionamento com atitudes que não está podendo controlar no momento esteja ciente de que se trata de uma doença que pode ser tratada.
Cleonice Andrade
Psicóloga/especialista: terapia cognitiva comportamental
CRP:12/04023
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Ansiedade é o pior de todos os males psicológicos, diz especialista
HELOÍSA NORONHA
Colaboração para o UOL
Aflição, agonia, impaciência, inquietação. Esses são alguns sinais da ansiedade, sentimento capaz de prejudicar a qualidade de vida, autoestima e saúde do ser humano.
Aprender a lidar com ela é fundamental para garantir uma vida saudável. E para isso, é preciso entender os seus mecanismos.
“A ansiedade é uma excitação do sistema nervoso central, que acelera o funcionamento do corpo e da mente. Quando estamos ansiosos, liberamos o neurotransmissor noradrenalina, que provoca toda essa excitação. É um processo que pode ser tanto hereditário como adquirido através das experiências que temos nos ambientes mais hostis. A ansiedade está intimamente vinculada à forma como interpretamos as situações da vida”, explica a psicóloga Sâmia Aguiar Brandão Simurro, de São Paulo (SP), que é vice-presidente de Projetos e Expansão da Associação Brasileira de Qualidade de Vida (ABQV).
Para o psicólogo Alexandre Bez, especialista em relacionamentos pela Universidade de Miami e em ansiedade e síndrome do pânico pela Universidade da Califórnia, a ansiedade é o pior de todos os males psicológicos. “Ela é o gatilho para desencadear outros transtornos. Dentro do ponto de vista psicológico, podemos definir ansiedade como um estado mental praticamente subjetivo carregado de apreensão e recheado de incertezas”, diz.
Por causa dos múltiplos papéis que desempenham e devido às variações hormonais, algumas mulheres sofrem mais com a ansiedade e o estresse. Porém, os homens não estão imunes a esse mal. Questões profissionais e financeiras também podem desencadear a sensação de angústia e impaciência no sexo masculino.
Sentimento que pode causar doenças
Se não for controlada, a ansiedade pode causar o surgimento de enfermidades psicossomáticas, ou seja, doenças que afetam a saúde física e mental. Gastrite, úlceras, colites, taquicardia, hipertensão, cefaleia e alergias são alguns exemplos de doenças causadas pela ansiedade. Ela também é responsável pelo surgimento de doenças psiconeurológicas e psicooncológicas.
O psiquiatra italiano Leonard Vereaque explica que isso acontece, pois as pessoas não conseguem eliminar de forma natural a tensão gerada pela ansiedade. “A mente cria válvulas artificiais para dar vazão a essa energia negativa. A partir daí, a pessoa começa a usar o próprio organismo como válvula de descarga”, afirma.
Qualquer um sofre, em maior ou menor grau, de ansiedade. Mas o transtorno merece atenção redobrada quando passa a prejudicar os relacionamentos conjugais, profissionais, acadêmicos e até mesmo sexuais.
“Quando a ansiedade ultrapassa o limite e a pessoa não consegue mais realizar suas tarefas diárias sem sofrimento, é hora de buscar ajuda especializada e dar início a um tratamento”, explica a psicóloga Sâmia Simurro.
“Ter força de vontade e entender que essa ansiedade descontrolada não é normal são requisitos básicos para o processo de cura inicial”, afirma o psicólogo Alexandre Bez. “Procurar ajuda psicológica é fundamental para retomar a rotina. Curar-se sozinho é praticamente impossível”, alerta. De acordo com Bez, em casos extremos e dependendo do perfil do paciente é necessária a prescrição de medicamentos.
Apesar dos males causados pela ansiedade, a psicóloga Sâmia Simurro alerta que, na dose certa, esse sentimento pode ser positivo. “Precisamos de desafios para nos desenvolver. É preciso aprender a viver com níveis de ansiedade suficientes para atingir o nível mais alto do nosso potencial. É claro que ansiedade demais torna a vida das pessoas um caos, porém, nenhuma ansiedade nos leva à estagnação”, conclui.
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