segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Você sabe se comunicar?

Você já parou para pensar como as interações sociais são importantes para a nossa vida? Como conseguiríamos viver tanto e com qualidade de vida se não nos comunicássemos com outros humanos? De fato, nossa vida seria muito prejudicada, e muito provavelmente a humanidade não teria se desenvolvido tanto. Se comparados aos demais animais, não somos os mais fortes e nem os mais rápidos. Num passado distante – diga-se, na pré-história de nossa espécie - sobreviver era uma luta diária, e interagir com outros seres humanos era imprescindível, formando grupos para caçar e manter o ambiente comunitário adequado às necessidades. Um dos maiores diferenciais do homem está na forma como nos agrupamos, formando sociedades complexas – o que é um reflexo de um aparato cerebral altamente desenvolvido.

Passamos boa parte de nossas vidas nos comunicando com outras pessoas. Como não poderia deixar de ser, esse assunto é estudado pela Psicologia há bastante tempo: praticamente todas as teorias de desenvolvimento abordam a questão da socialização e da importância das interações sociais. Interações sociais problemáticas podem comprometer significativamente a formação de uma pessoa em relação à sua saúde mental, acarretando em problemas como a ansiedade social, a depressão e desajustamento escolar, entre outros (Del Prette e Del Prette, 1999). Nas próximas semanas, iremos discutir um pouco sobre as habilidades sociais básicas para uma boa comunicação.

Nossa comunicação não é composta apenas pelo que falamos e ouvimos. Grande parte do que emitimos aos outros são sinais não verbais. A comunicação não verbal envolve o olhar e o contato visual, o sorriso, a expressão facial, a gestualidade, a postura corporal, os movimentos com a cabeça, o contato físico e a distância que mantemos de nossos interlocutores. Muitas vezes, emitimos esses sinais naturalmente, sem perceber. Assim, pode acontecer de você falar uma coisa e seu corpo sinalizar outra para as pessoas que te cercam, comprometendo significativamente a sua capacidade de se expressar. Modular os comportamentos não verbais é importante, sendo que a melhor dica que eu poderia dar é que você seja verdadeiro consigo mesmo em relação ao que faz e fala. Pessoas com altas habilidades sociais sabem a importância de ser honesto, já que, assim, o corpo não as trai.

Toda interação ocorre em um contexto. Por isso, uma boa leitura do ambiente é fundamental para a orientação da melhor forma de agir. É muito difícil regular comportamentos verbais e não verbais de socialização sem compreender em que contexto se está inserido. Um erro de leitura do ambiente pode transformar a intenção de um comportamento positivo em um desastre. Portanto, reparar no tipo de ambiente (se é formal ou informal, por exemplo), no semblante e nos trajes dos outros pode fornecer dicas relevantes para orientar como se portar adequadamente. Estudar como se dá a interação entre as outras pessoas e os sinais não verbais que elas emitem também são fatores fundamentais para se compreender o contexto de cada situação social e qual a melhor forma de agir.

Por fim, a apresentação pessoal também é importante em relação às interações sociais, principalmente se você tem um objetivo específico em mente. Por apresentação pessoal nos referimos à aparência: o uso de roupas e acessórios adequados para cada situação, higiene pessoal e até a forma de se barbear ou se maquiar influenciam. Assim como olhamos para uma pessoa e, por meio de sua aparência, podemos dizer algo sobre ela (e predizer se é interessante ou não estabelecer contato, além de ter uma noção de como contatá-la), os outros fazem o mesmo conosco.

Referências:

Bolsoni-Silva, A. (2002). Habilidades Sociais: breve análise da teoria e da prática à luz da análise do comportamento. Interação em Psicologia, 6(2), p. 233-242.

Del Prette, Z. A. P. & Del Prette, A. (1999). Psicologia das Habilidades Sociais: Terapia e educação.Petrópolis:Vozes.

Autora: Jessye cantini

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

OS BENEFÍCIOS DO TRABALHO VOLUNTÁRIO

Fonte: Revista Máxima

Que tal viver mais e com mais saúde? A ciência comprova: quem faz um trabalho voluntário ganha muito em bem-estar e felicidade

Publicado em 30/07/2012
Reportagem: Danielle Reis - Edição: MdeMulher
Conteúdo MÁXIMA
Todo mundo pode ser voluntário - bastam disposição, boa vontade e comprometimento
Foto: Getty Images
O que você faz bem pode fazer bem a alguém. Esse é o espírito do trabalho voluntário, que significa colocar à disposição da sociedade um talento nosso. Mas essa história, que já seria bonita se terminasse aí, vai além: as pessoas que atuam como voluntárias movidas pelo amor (e não para ganhar ponto no currículo, por exemplo) vivem em média quatro anos mais, segundo estudo da
Universidade de Michigan (EUA), e com melhor qualidade de vida, afirma o pesquisador americano Allan Luks, no livro The Healing Power of Doing Good (O Poder Curativo de Fazer o Bem, sem tradução para o português).
"Quem realiza pelo menos quatro horas de trabalho voluntário por mês tem dez vezes mais chances de ter uma boa saúde do que quem não voluntaria", disse Lukz. A explicação? O voluntário vivencia um poderoso sentimento de satisfação (em inglês, helpers high), resultado da diminuição do stress e da liberação de endorfinas, neurotransmissores que provocam sensação de felicidade. "A pessoa se sente valorizada, útil, com boa autoestima. Tudo isso por saber que tem algo para contribuir", explica a psicóloga Cleonice de Andrade (SC).
No caminho da solidariedade
Todo mundo pode ser voluntário - bastam disposição, boa vontade e comprometimento. Mas por onde começar? Por duas perguntas que você dirige a si mesma: o que eu sei fazer de melhor que me traz satisfação? E como posso utilizar minhas habilidades para ajudar a quem precisa? Enumere o que lhe traz bem-estar e os seus talentos, defina sua disponibilidade de tempo e então busque um trabalho que chame a sua atenção e seja coerente com os seus valores pessoais, ensina Cleonice. Mesmo quem tem pouco tempo pode encontrar formas de atuar. É o que fazem 67% dos voluntários brasileiros (dado de 2011 do Ibope) que trabalham fora em atividades remuneradas.
São inúmeros os benefícios do trabalho voluntário para quem o realiza:
· Melhora a saúde mental e física
· Cria novas amizades
· É um passatempo
· Proporciona prazer
· Mantém a pessoa ativa
· Desenvolve suas habilidades
· Permite adquirir novos conhecimentos
· Aumenta as chances de conseguir um trabalho pago
 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O QUE É UM PSICOPATA?


Cercada de mitos, a psicopatia nem sempre está associada à violência e, ao contrário do que se imagina, pode ser tratada


O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. 

Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática.

Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.


No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos. Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos indicam que cerca de 25% dos prisioneiros americanos se enquadram nos critérios diagnósticos para psicopatia. No entanto, as pesquisas sugerem também que uma quantidade considerável dessas pessoas está livre. Alguns pesquisadores acreditam que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na política, nos negócios ou nas artes.

Especialistas garantem que a maioria dos psicopatas é homem, mas os motivos para esta desproporção entre os sexos são desconhecidos. A freqüência na população é aparentemente a mesma no Ocidente e no Oriente, inclusive em culturas menos expostas às mídias modernas. Em um estudo de 1976 a antropóloga americana Jane M. Murphy, na época na Universidade Harvard, analisou um grupo indígena, conhecido como inuíte, que vive no norte do Canadá, próximo ao estreito de Bering. Falantes do yupik, eles usam o termo kunlangeta para descrever “um homem que mente de forma contumaz, trapaceia e rouba coisas e (...) se aproveita sexualmente de muitas mulheres; alguém que não se presta a reprimendas e é sempre trazido aos anciãos para ser punido”. Quando Murphy perguntou a um inuit o que o grupo normalmente faria com um kunlangeta, ele respondeu: “Alguém o empurraria para a morte quando ninguém estivesse olhando”.

O instrumento mais usado entre os especialistas para diagnosticar a psicopatia é o teste Psychopathy checklist-revised (PCL-R), desenvolvido pelo psicólogo canadense Robert D. Hare, da Universidade da Colúmbia Britânica. O método inclui uma entrevista padronizada com os pacientes e o levantamento do seu histórico pessoal, inclusive dos antecedentes criminais. O PCL-R revela três grandes grupos de características que geralmente aparecem sobrepostas, mas podem ser analisadas separadamente: deficiências de caráter (como sentimento de superioridade e megalomania), ausência de culpa ou empatia e comportamentos impulsivos ou criminosos (incluindo promiscuidade sexual e prática de furtos).


TRÊS MITOS


Apesar das pesquisas realizadas nas últimas décadas, três grandes equívocos sobre o conceito de psicopatia persistem entre os leigos. O primeiro é a crença de que todos os psicopatas são violentos.

Estudos coordenados por diversos pesquisadores, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, é comum que essas pessoas recorram à violência física e sexual. Além disso, alguns serial killers já acompanhados manifestavam muitos traços psicopáticos, como a capacidade de encantar o interlocutor desprevenido e a total ausência de culpa e empatia. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta e grande parte das pessoas violentas não é psicopata.

Dias depois do incidente da Universidade Virginia Tech, em 16 de abril de 2007, em que o estudante Seung-Hui Cho cometeu vários assassinatos e depois se suicidou, muitos jornalistas descreveram o assassino como “psicopata”. O rapaz, porém, exibia poucos traços de psicopatia. Quem o conheceu descreveu o jovem como extremamente tímido e retraído.

Infelizmente, a quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR) reforça ainda mais a confusão entre psicopatia e violência. Nele o transtorno de personalidade anti-social (TPAS), caracterizado por longo histórico de comportamento criminoso e muitas vezes agressivo, é considerado sinônimo de psicopatia. Porém, comprovadamente há poucas coincidências entre as duas condições.

O segundo mito diz que todos os psicopatas sofrem de psicose. Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é freqüente a perda de contato com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade, mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora. Além disso, os psicóticos raramente são psicopatas.

O terceiro equívoco em relação ao conceito de psicopatia está na suposição de que é um problema sem tratamento. No seriado Família Soprano, dra. Melfi, a psiquiatra que acompanha o mafioso Tony Soprano, encerra o tratamento psicoterápico porque um colega a convence de que o paciente era um psicopata clássico e, portanto, intratável. Diversos comportamentos de Tony, entretanto, como a lealdade à família e o apego emocional a um grupo de patos que ocuparam a sua piscina, tornam a decisão da terapeuta injustificável.

Embora os psicopatas raramente se sintam motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.




Without conscience – The disturbing world of the psychopaths among us. Robert D. Hare. Guilford Press, 1999.

Handbook of psychopathy. Christopher J. Patrick (ed.), Guilford Press, 2007.




Fonte: Mente e Cérebro

quinta-feira, 21 de março de 2013

O que é o Transtorno Bipolar ?



Para ensinar eficazmente o seu aluno com transtorno bipolar é preciso ter uma compreensão básica desta doença.

O transtorno bipolar é uma doença que afeta a parte mais complexa do corpo, que é o cérebro. Este transtorno envolve tanto a estrutura como o funcionamento anormal do cérebro. Além disso, os pesquisadores encontraram níveis anormais de substâncias químicas neurotransmissoras e atividade celular anormal no cérebro. Os estudos genéticos têm ligado múltiplos genes para transtorno bipolar, incluindo dois que são responsáveis pela construção do cálcio e canais de sódio no cérebro.

O transtorno bipolar afeta o nível de energia da pessoa, também seus pensamentos, humor e comportamentos. A pessoa que sofre de transtorno bipolar tem experiências de extremas mudanças no humor variando de depressão para mania.

Diminuição dos níveis de energia, tristeza sem motivo, falta de motivação, irritabilidade, raiva, sentimentos de desprezo pela segurança pessoal e sentimentos suicidas são alguns dos sintomas que podem marcar um período de depressão. O aumento dos níveis de energia, humor exaltado, pobre impulso para controlar-se, pensamentos grandiosos, pensamentos muito acelerados, agitação e agressividade são alguns dos sintomas que podem marcar um período de mania.

As crianças que manifestam transtorno bipolar frequentemente passam por estas experiências de variação do humor em um mesmo dia. Também podem misturar os sintomas de mania e depressão, formando o que é chamado de estado misto. Durante as diferentes fases da doença, as crianças podem aparecer lentas, irritadas, zangadas, oposicionistas, taciturnas, chorosas, hiperativas, desatentas, distraídas, falantes, arrogantes ou sem controle.

Devido a natureza crônica de sua condição, é requerido medicação e tratamento.Quando tratadas com a devida medicação diferentes crianças vão atingir vários níveis de estabilidade. Esta estabilidade pode variar grandemente durante o ano escolar. Ela pode ser afetada por surtos de crescimento, alterações sazonais, aumento do stress, entre outras coisas. Em um ponto do ano, um aluno bipolar pode estar no topo da sua classe. No mesmo ano, o aluno pode achar difícil se  não mesmo impossível frequentar a escola.

Por Cláudia Hoffmann Ribeiro