segunda-feira, 25 de agosto de 2014

TDAH e Funções Executivas

Por Cacilda Amorin

Há um conjunto de competências necessárias para lidar consigo mesmo e fazer uso dos recursos disponíveis. Alguns bons exemplos são organização, gerenciamento do tempo, controle das emoções e da impulsividade, estabelecimento de objetivos, planejamento, etc.


Estas competências são conhecidas como Funções Executivas, por estarem diretamente ligadas ao uso de recursos pessoais e à sua utilização tendo em vista alcançar algum objetivo. É possível entender melhor estas funções comparando-as a um administrador ou gerente de um sistema complexo – no caso, nós mesmos. Estas funções tornam possível lidar com tarefas e resolver problemas como preparar uma palestra, planejar uma viagem ou consertar um brinquedo.

Todas as funções executivas tem algum tipo de relação com situações onde "comando" e "controle" são necessários – em termos mais amplos, podem ser vistas como as grandes condutoras de todas as habilidades cognitivas. Estão diretamente relacionadas a comportamentos auto-organizados e voluntários. São necessárias para lidar com todas as exigências práticas da vida, bem como enfrentar o stress e manter relacionamentos.

As funções executivas não são habilidades isoladas; muito pelo contrário, são altamente inter-relacionadas e inter-dependentes. Problemas com funções executivas – conhecidos também como Disfunções Executivas, podem ser encontrados em crianças e adultos sem nenhum outro transtorno ou psicopatologia. Apesar disto, são muito comuns em casos de transtornos psiquiátricos, de desenvolvimento.

Disfunções executivas são uma marca central do TDAH, tanto que muitos especialistas da área consideram ser esta a origem principal do transtorno. Nesta concepção, o déficit de atenção seria decorrente de problemas de modulação da atenção – como se sabe, pessoas com TDAH – distração e desatenção conseguem prestar atenção, muitas vezes de extrema intensidade, chegando a um hiperfoco. Contudo, enfrentam problemas com controle voluntário e auto-direcionado do foco. A hiperatividade representa um déficit em inibição motora, assim como a impulsividade está relacionada a uma inibição pobre dos impulsos.

A lista de quais habilidades fariam parte destas Funções Executivas varia entre os autores e pesquisadores da área. A lista a seguir apresenta as mais importantes e reconhecidas. Os exemplos descrevem situações na qual a função foi ou deixou de ser usada.

Inibição

É a capacidade em parar o próprio comportamento quando apropriado ou necessário. Pode envolver parar ações físicas (como parar de comer) ou ter controle sobre os próprios pensamentos (deixar de lado um pensamento negativo). A inibição é o oposto da impulsividade – a própria definição da impulsividade baseia-se na dificuldade ou pouca capacidade de controlar / inibir os próprios impulsos. A inibição é também um componente essencial da capacidade de "pensar antes de fazer" – ou seja, inibir o curso mais natural da ação por algum tempo. Assim, torna-se possível a manifestação de outras funções mais complexas, como identificar, julgar, ponderar – que, eventualmente, poderão levar a uma mudança ou interferência no curso desta ação.

Flexibilidade

É a habilidade que torna possível alternar pontos de vista, posicionamentos ou formas de encarar situações. Esta possibilidade de ter contato ou experimentar perspectivas diferentes torna possível avaliar, julgar e fazer escolhas melhores. A flexibilidade torna também possível alternar, redirecionar o foco da atenção e posteriormente retomá-lo. Por exemplo, um jovem está triste pois a namorada não telefona; daí, tenta se colocar no lugar dela e imaginar porque ela teria deixado de ligar.

Controle emocional

Esta é uma das habilidades mais importantes, sob a perspectiva daquilo que nos torna humanos. A capacidade de modular as reações emocionais é fundamental, tanto para os relacionamentos interpessoais quanto para a realização de objetivos. Um homem foi criticado no seu trabalho e imediatamente sente medo em falhar novamente; ao mesmo tempo, consegue entender que o sentimento de mal-estar não significa necessariamente que coisas ruins acontecerão novamente – com isto, passa a sentir-se melhor.

Iniciação / volição

É a habilidade em iniciar uma ação ou atividade; também é relacionado à capacidade de gerar alternativas, soluções e estratégias para resolução de problemas. Uma mulher acima do peso precisa fazer exercícios, coisa que não lhe traz nenhum prazer. Ainda assim, pensa em fazer um acordo consigo mesma, prometendo comprar uma blusa nova quando perder uma quantidade específica de peso. Como sabe que terá dificuldade, pensa também em levar o MP3 para a sala de ginástica.

Memória de trabalho / operacional

É uma função de memória de curto prazo, que permite manter as informações "na cabeça", durante a realização de uma tarefa. É muito instável e muito sensível a interferências externas. Um bom exemplo é de memória de curto prazo é discar um número de telefone – é possível mantê-lo na memória enquanto é discado, porém logo é esquecido.

Planejamento e condução

É a habilidade de lidar com demandas atuais, relacionando-as a metas e possibilidades futuras, de modo a gerar um plano de ação. Um jovem vendedor pretende trocar seu carro e precisa obter um certo valor com o carro atual. Faz uma pesquisa sobre o valor do carro atual, pondera o quanto custariam alguns reparos e quanto isto agregaria ao valor final de venda. Leva também em conta o tempo necessário para providenciar os reparos, pois prejudicará seu trabalho nestes dias e, portanto, suas comissões.

Auto-monitoramento

O monitoramento envolve a habilidade em acompanhar a realização da ação, julgá-la pela comparação com o anteriormente planejado e com os objetivos finais, alterando seu curso caso necessário. Uma professora faz a lista das atividades que devem ser incluídas no seu planejamento de aula. Em seguida, começa a providenciar os materiais para elas. De tempos em tempos, avalia o quanto já avançou e o quanto falta para terminar o trabalho. Como percebeu que foi bastante rápida na seleção das primeiras, sabe que agora tem tempo suficiente para pensar algumas opções bem criativas para as últimas.

Organização do espaço e dos materiais

É a habilidade em alterar a disposição e/ou localização de objetos e materiais nos espaços disponíveis, de modo a facilitar o curso das ações relacionadas. Organização é mais que simplesmente ordem e limpeza; mais que isto, tem relação direta com facilitar os objetivos planejados. Uma mãe precisa arrumar a mala das crianças e colocá-las no carro para a viagem de férias. Como sabe que a viagem será longa, deixa ao fundo as malas de roupas e, mais acima, duas mochilas com brinquedos e uma sacola com bebidas e biscoitos.

Link para o artigo original: www.dda-deficitdeatencao.com.br/tdah-funcoes-executivas.html - Escrito por Cacilda Amorim, Diretora Clínica do IPDA. 

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Celular: seria a nomofobia a síndrome do século?

Autor: MundoPsicologos.com Ontem, 09 Abril 2014


No Brasil, 34% dos entrevistados sentem profunda ansiedade ao não ter o telefone por perto

Com as novas tecnologias e a presença dos telefones celulares em quase todos os níveis da rotina de um indivíduo, já são muitos os que desenvolvem uma relação pouco saudável com o objeto, caindo em níveis de dependência patológicos. O nome criado para definir o comportamento daqueles que se angustiam diante da impossibilidade ou incapacidade de comunicar-se pelo celular ou computador é monofobia, derivado da expressão do inglês “no mobile phone phobia”.

Somente no Brasil, há quase 273 milhões de celulares ativos, superando em pelo menos 35% o total de habitantes do país. Os dados são da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), atualizados em fevereiro deste ano. Considerando esses números, o comportamento da juventude e as preferências de parte dos adultos, chega-se a um cenário propício para o desenvolvimento e difusão desse tipo de vício.


O mal da atualidade


A nomofobia é um medo irracional de ficar sem o celular, de que se acabe o crédito ou que não haja cobertura. Medo de ficar sem bateria e, inclusive, de sair de casa sem o aparelho. O que marca o comportamento daqueles que sofrem com esse problema é justamente a necessidade de ter o aparelho sempre perto, ao alcance da mão. Muitas vezes, a proximidade vale mais que realmente estar manipulando o aparato o tempo todo. Seria um elemento transmissor de segurança.

Pesquisa recente feita pela empresa inglesa SercurEnvoy, que presta serviços móveis, apontou que quase 70% dos entrevistados afirmam sofrer de nomofobia. As mulheres estariam mais sujeitas a desenvolver esse tipo de dependência, apesar de quase 50% dos homens entrevistados afirmarem possuir dois ou mais aparelhos de celular.




Ainda conforme o estudo, que entrevistou mil usuários, jovens entre 18 e 24 anos seriam os líderes no ranking da nomofobia. Oito de cada dez entrevistados estariam entre as vítimas desse tipo de problema.

No Brasil, os números são igualmente preocupantes. O Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigou o tema em uma das linhas do doutorado e constatou que 34% dos entrevistados sentem profunda ansiedade ao não ter o telefone por perto. Mais de 50% do universo pesquisado afirmou ter pavor de passar mal na rua e estar sem o aparelho.

Quando se pensa no impacto psicológico desse tipo de comportamento, seja na juventude ou vida adulta, é preciso considerar o enfrentamento de um quadro complexo, já que a monofobia quase nunca aparece sozinha. O indivíduo normalmente já vem de uma situação de ansiedade, stress ou transtornos de humor/personalidade.

Há especialistas que atrelam o aparecimento da nomofobia justamente ao caráter das novas gerações, cada vez mais imediatista e ansiosa. Os impactos na vida social desse tipo de comportamento estariam justamente no agravamento da relação "mais interação com tecnologias em detrimento das relações humanas".


Independentemente do fato de esse tipo de fobia já ter aparecido em seu consultório de especialista ou não, estudá-lo, mapear sintomas e abordagens é apostar por novos conhecimentos. É a forma mais eficiente de preparar-se para oferecer um atendimento relevante aos clientes.



Autor: MundoPsicologos.com

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

O ataque de raiva é comun, o descontrole não

Quem nunca sentiu raiva de alguém ou de uma situação? A raiva é, como todos os sentimentos, normal e em diversas ocasiões você ficará frente a frente com ela. A raiva está relacionada com uma frustração, uma insegurança ou quando você de alguma maneira se sente ameaçado. Todos nós sentimos raiva, o que varia é a intensidade do sentimento e as formas de expressão. E é aí que você deve ter cuidado para não ser intenso demais e prejudicar a si e aos que te rodeiam.

Se você tem a agressividade exagerada e por qualquer motivo perde a razão, grita, xinga pessoas pode se tornar indesejada no ambiente social e profissional. Afinal, ninguém gosta de conviver com alguém que possa explodir a qualquer momento. A raiva convertida em agressividade intensa é também perigosa, pois, você não pode prever de que maneira a pessoa que é alvo de sua raiva vai reagir. Não é raro ver em noticiários que brigas banais de trânsito, por exemplo, terminem em morte. Portanto é bom tomar cuidado com ataques súbitos.

Sentir raiva é comum, o descontrole não


Algumas pessoas acham que os problemas só serão resolvidos aos gritos ou que só alcançaram o reconhecimento e o respeito se agirem com grosseria e descontando em todos sua raiva. Em muitas profissões ataques de raiva são inclusive confundidos com competência. Principalmente em cargos de chefia é comum encontrar pessoas que se descontrolam por motivos muitas vezes pequenos e acreditam que com a alteração da voz irão conseguir resolver os problemas.

Uma pessoa que está constantemente com raiva de tudo e de todos está certamente desequilibrada. O mesmo acontece com que nunca demonstra qualquer sinal de raiva. Que age desta maneira pode segura o sentimento até o ponto de fazer mal ao organismo. O famoso "engolir sapo" não faz bem a ninguém. Nenhuma das situações é benéfica e as duas personalidades precisam repensar na maneira como lidam com as frustrações e as contrariedade comuns da vida.

Nós todos somos compostos de sentimentos bons e ruins. Alegria, tristeza, raiva e amor convivem dentro de nós e cabe a cada um dar a vazão necessária para os sentimentos. O que não podemos jamais é que um sentimento seja mais forte e presente que os demais, pois desta forma ficamos desequilibrados e propensos a diversos fatores negativos.

Fonte: Letícia Murta: Diário Feminino

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Como identificar o transtorno da personalidade esquiva

As pessoas que sofrem de transtorno da personalidade esquiva caracterizam-se por ter sentimentos de inadequação, por serem hipersensíveis às avaliações negativas e por evitar qualquer contato com as pessoas por medo de serem desaprovadas. Se bem este transtorno tem certas semelhanças com a fobia social, diferencia-se desta já que nesta última as pessoas evitam determinadas situações sociais, mas não as relações próximas. No transtorno da personalidade esquiva, evita-se qualquer tipo de interação pessoal; se bem é verdade que existe o desejo de se aproximar das pessoas, o medo de ser rejeitados é mais forte. A seguir, mostraremos como identificar o transtorno da personalidade esquiva.

Instruções

1) Atividades que envolvem outras pessoas. As pessoas com este transtorno evitam todas aquelas situações, trabalhos ou atividades que impliquem um contacto interpessoal importante já que têm medo de ser criticadas ou de ser rejeitadas. Em muitos casos, chegam a recusar propostas de trabalho importantes por este motivo.

2) Rotina. Estas pessoas costumam ter uma vida muito rotineira que se limita geralmente a ficar em sua casa. Não realizam nenhum tipo de atividade social que implique o contato interpessoal. Preferem a tranquilidade e comodidade do já conhecido a enfrentar situações desconhecidas.

3) Relações interpessoais. Relacionam-se, geralmente, apenas com pessoas que pertencem à família e costumam ter apenas um amigo que não pertença ao circulo familiar. As pessoas que sofrem deste transtorno evitam fazer novas amizades por temor à rejeição. Estabelecem relações de amizade somente quando têm certeza total de que não serão criticadas.

4) Hipersensibilidade. A crítica ou a desaprovação geram um grande mal-estar emocional, sentem-se feridas quando alguém as corrige ou critica. Inclusive, se alguém lhes fizer uma piada sentem-se profundamente ofendidas. O medo destas situações é tão forte que preferem ficar sozinhas a arriscar serem criticadas.

5) Relações de casal. As habilidades sociais destas pessoas costumam ser muito limitadas por seu comportamento. No que se refere às relações de casal acontece a mesma coisa, só podem estar com alguém de quem tenham certeza de que o sentimento é mútuo e que as aceite acriticamente.

6) Autoestima baixa. Sentem-se inferiores às demais pessoas e consideram-se a si mesmas ineptas socialmente, desinteressantes e chatas. Têm medo de que alguém lhes faça alguma pergunta e não saber o que responder ou dizer algo que desperte a zombaria dos outros. Consideram-se ignorantes para atuar diante de determinadas situações.

7) Não assumem riscos. Não se envolvem em novas atividades ou em novas situações porque possam comprometê-las. Tendem a exagerar situações cotidianas fomentando cada vez mais seu isolamento e seu estilo de vida limitado.



sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Burnout, o inimigo “quase invisível” das organizações

Pesquisas no Brasil e no exterior apontam: um percentual entre 30% e 40% de profissionais têm Burnout em nível moderado, médio ou grave. Esta síndrome gerada por ambientes de trabalho com alto grau de pressão tem sido responsável pelas quedas na performance, faltas ao trabalho ou mesmo demissão voluntária nas empresas. Traduzido ao pé da letra por “combustão completa”, o Burnout, erroneamente confundido com o estresse, soma três fatores: cansaço emocional, baixa realização profissional e despersonalização – o profissional trata os demais como objetos, perdendo o interesse em servi-los.

Para o Dr. Paulo Cesar Souza, da Diretoria Técnica da Amil, é primordial ter a consciência de que Burnout não é natural. Algum tipo de conflito sempre existe, mas Burnout é muito mais do que conflito. “O Burnout se alastra porque nem todos suportam altos níveis de pressão; outro grande desafio é que esta síndrome não é identificada facilmente, muita gente que a tem não se dá conta disso”, alerta ele, que se interessou pelo estudo da Síndrome de Burnout ao atuar nos CTIs (Centros de Tratamento Intensivo) de hospitais, áreas com alto nível de pressão.

Na opinião do Dr. Paulo Cesar, a pressão pode fazer parte da atividade, mas a dose é a questão, não existindo um nível “razoável” para todos. “Nem todos os colaboradores suportam o mesmo nível de pressão e dão bons resultados; os líderes imaginam que apenas colocando pressão nos colaboradores, vão obter resultado”, sintetiza. Na prática, não é o que ocorre.

“Vejo com muita preocupação a questão do Burnout especialmente porque o cenário de pressões ainda vai se intensificar”, argumenta Alfieri Casalecchi, gerente corporativo do Grupo Amil e profissional em constante contato com executivos de organizações de diversos segmentos. Ele considera que os executivos deveriam conhecer melhor seus limites físicos e emocionais. “A repetição do sucesso nos negócios acaba nos passando uma sensação de que somos super homens ou super mulheres e, é neste momento, que podemos passar do ponto”, justifica Alfieri ao citar exercícios físicos e a vida em família como excelentes soluções para se evitar o Burnout.

Uma medida eficaz para lidar com a questão está na aplicação de questionários, ponto de partida no processo de diagnóstico e da medição do nível de Burnout em um profissional ou grupo de profissionais. Reduzir o excesso de horas de trabalho e a sobrecarga de tarefas nas mãos de uma pessoa só, definir metas, transferir o profissional de setor ou função e aumentar o nível de escuta e respeito aos profissionais são, na análise do Dr. Paulo Cesar, alguns “remédios” que os gestores de pessoas podem oferecer ao ambiente de trabalho para tratar o Burnout.

O suporte da Psicologia é também um caminho eficaz para evitar ou lidar com o Burnout. Motivada pela falta de conhecimento dos profissionais que pesquisavam apenas o estresse, a Drª. Maria Fernanda Marcondes, psicóloga-clínica com ênfase na abordagem cognitivo-comportamental, passou em 2004 a estudar e trabalhar com o Burnout. Para tratar esta síndrome pela terapia cognitivo-comportamental, ela utiliza procedimentos que incluem o relaxamento por meio de uma respiração pelo abdômen que melhora a oxigenação do cérebro, entre outros; “afinal um dos sintomas do estresse e do Burnout é a respiração curta das pessoas”, explica. A Drª. Maria Fernanda revela que profissionais com Burnout costumam ter explosões de raiva, mas também podem apresentar apatia, dificuldade para engolir alimentos sólidos, sentimento de solidão, falta de concentração, entre outros sintomas.

“Para lidar com o Burnout trabalho com a ressignificação da situação que causou a síndrome, o que possibilita à pessoa ter uma nova visão de mundo, pois pensamentos adequados geram comportamento adequados”, esclarece. Por meio da ressignificação, quando o significado se modifica, as respostas e comportamentos da pessoa também se modificam.

Precisamos ser mais pró-ativos, segundo asseguram os Drs. Paulo Cesar e Maria Fernanda. EUA e Europa, por exemplo, tratam do tema motivados por uma forte preocupação: o Burnout está gerando perda de talentos às organizações locais. No Japão, o Burnout é caso de saúde pública, pois as autoridades locais já tomaram consciência de que esta é causa da maioria dos suicídios.

“Seria muito mais econômico atuar na prevenção do problema do que gastar com o afastamento de funcionários”, argumenta a Drª. Maria Fernanda. Na visão do Dr. Paulo Cesar, é vital que os RHs sensibilizem seus líderes para o fato de que a Síndrome de Burnout atinge a raíz do negócio das empresas: suas melhores pessoas. Acesse www.abrhrj.org.br e preencha um mini-questionário capaz de identificar tendências de Burnout.

Fonte: http://www.abrhrj.org.br/typo/fileadmin/user_upload/OGLOBO/BC_28_02_10.pdf


Especialista diz que transtorno bipolar é a doença que mais causa suicídios

Aline Leal
Repórter da Agência Brasil
Brasília - Entre 30% e 50% dos brasileiros portadores de transtorno bipolar tentam suicídio. Essa é a estimativa sustentada pela Associação Brasileira de Transtorno Bipolar (ABTB). De acordo com a entidade, dos que tentam se matar, 20% conseguem o objetivo. "De todas as doenças e de todos os transtornos, o bipolar é o que mais causa suicídios”, alerta a presidenta da ABTB, Ângela Scippa.
“Há um risco real de suicídio, principalmente nos estados mistos, essa mistura dos sintomas de depressão com sintoma de exaltação do humor é a situação mais crítica do ponto de vista do suicídio, a depressão também oferece muito risco à vida do paciente”, explicou a professora de psiquiatria da Universidade de Brasília Maria das Graças de Oliveira.
“É importante dizer que um dos maiores inimigos do paciente é o preconceito”, ressaltou a professora. Ela acrescentou que não é raro verificar pessoas que sofrem com o transtorno evitarem o tratamento porque tem preconceito contra o acompanhamento psiquiátrico e os medicamentos de controle da doença. “Essas pessoas precisam saber que vão viver muito melhor se fizerem o tratamento”, destacou a médica.
O professor de educação física Fernando Carvalho*, diagnosticado há 11 com a doença, conta que já chegou a pensar em suicídio. “Tem horas em que a gente se pergunta se tomou uma certa decisão porque estava em um momento de crise ou se foi uma decisão racional. Quando você deixa de acreditar em si mesmo dá vontade de terminar com tudo”, relatou à Agência Brasil.
O controle do transtorno bipolar é feito com estabilizadores de humor e complementado com terapia comportamental. “Quando a pessoa inicia o tratamento, fica mais atenta ao seu próprio comportamento e aprende a controlar os sintomas. Não existe a cura, mas existe o controle. Com o tratamento à base de medicamentos, o paciente não desenvolve mais os sintomas e assim pode ter uma vida tranquila e controlada”, explicou Ângela.
“O tratamento me deu discernimento para saber quando eu estou mudando de humor. Quando eu tenho uma crise de depressão eu ainda fico muito agressivo, mas eu consigo direcionar a raiva e preservar as pessoas de quem gosto” disse Fernando. Ele acrescentou que “nas situações de crise machucava as pessoas, perdia amigos e namorada. É muito difícil viver nesse conflito”.
Fernando lembrou de uma ocasião em que decidiu suspender o tratamento porque se sentia bem e menos de seis meses depois teve uma crise, na qual expulsou toda a família da sua casa na noite de réveillon. “Meu padrasto nunca mais falou comigo, mesmo depois de pedidos de desculpa. Não dá para deixar o tratamento, as consequências podem ser permanentes”, lamenta.
A tendência do paciente com transtorno bipolar sem tratamento é ter crises cada vez mais intensas, e  com intervalos menores. Maria das Graças alerta que o humor patologicamente alterado refletirá na instabilidade de comportamento, o que se manifesta na vida profissional, social, familiar e acadêmica.
O tratamento na maioria das vezes leva a uma remissão dos sintomas da crise, ou seja, tira o paciente da depressão, da mania ou da hipomania. “Uma vez que saiu da crise, a cada 100 pacientes que interrompem o tratamento, 47 voltam a ter uma nova crise em menos de um ano, e 92 em até dois anos. Como a taxa é muito alta, existe um consenso internacional de que o paciente tem que fazer um tratamento profilático, preventivo, para evitar futuros episódios”, explicou a psiquiatra.
Ela conta que os tratamentos profiláticos diminuem pela metade a chance de novas crises, mas alerta que as pessoas portadoras de transtorno bipolar são muito sensíveis a estressores psicossociais. “A pessoa pode estar bem, e, se morre um ente querido, isso gera um estresse significativo e ela entra em uma nova crise. O medicamento sozinho não consegue resolver o problema.”
Depois de se separar do marido, com quem foi casada por seis anos, a técnica de enfermagem Elizabete Couto, descobriu que ele tinha transtorno bipolar. “Ele teve todo tipo de problema relacionado ao transtorno bipolar, se envolveu com bebida, drogas, fazia barbaridades e depois pedia perdão chorando” relembra.
Ela conta que, depois da separação, o ex-marido foi diagnosticado como portador da doença. “Quando ele foi diagnosticado, nós voltamos, na condição de ele se internar para começar o tratamento. Hoje, ele ainda tem momentos depressivos, muito relacionados a eventos do dia a dia, mas mudou muito se comparado a [às reações que tinha] antes do tratamento”, relatou Elizabete.
A técnica de enfermagem ainda contou que, antes do tratamento, foi agredida pelo marido. “Ele era totalmente perturbado, ouvia vozes, arrumava antipatia com todo mundo, era agressivo, me agredia, arrumava confusão com as pessoas da rua, vizinhos, sempre ficava comigo a parte de resolver os problemas da família e limpar a barra dele”.

Fonte: http://memoria.ebc.com.br/agenciabrasil/noticia/2013-09-15/especialista-diz-que-transtorno-bipolar-e-doenca-que-mais-causa-suicidios