segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

A ERA DO ESTRESSE

Estamos vivendo em uma Era de grandes mudanças. Mudanças essas que passam a exigir de nós seres humanos esforços contínuos para podermos nos ajustar ao cotidiano moderno. Essas mudanças são, sem dúvida, necessárias e apropriadas para a evolução humana. Porém não podemos perder de vista o que essas novidades têm causado. Para uma boa adaptação as pessoas passam a se expor excessivamente a situações que podem causar conflitos, ansiedades, depressão, angústia e um desequilíbrio emocional significativo. Diante de tanta agitação, competitividade, e pressão para se ajustar ao novo, podemos dizer que estamos vivendo na Era do Estresse.

• De acordo com o médico psiquiatra Geraldo Ballone (2002), " o estresse é a resposta fisiológica e de comportamento de um indivíduo que se esforça para adaptar-se e ajustar-se a estímulos internos e externos. Como a energia necessária para esta adaptação é limitada, se houver persistência do estímulo estressor, mais cedo ou mais tarde o organismo entra em uma fase de esgotamento. Uma "dose baixa" de Estresse é normal, fisiológico e desejável. Trata-se de uma ocorrência indispensável para nossa saúde e capacidade produtiva. As características desse Estresse positivo são: aumento da vitalidade, manutenção do entusiasmo, do otimismo, da disposição física, interesse, etc. Por outro lado, o Estresse patológico e exagerado pode ter conseqüências mais danosas".

• Como o estresse patológico afeta as pessoas? Através de reações emocionais, comportamentais e fisiológicas. Portanto, fique atento aos seguintes sintomas: dificuldade de adormecer, respiração curta, dor ou pressão no peito, diarréia, náuseas, sensação de bolo na garganta, fraqueza, mal estar, sensação de que o corpo está flutuando, tonturas, dores de cabeça, indigestão, dores musculares, insônia, taquicardia, alergias, queda de cabelo, mudança do apetite, gastrite, esgotamento físico, apatia, memória fraca, tiques nervosos, isolamento, introspecção, sentimentos de perseguição, desmotivação, irritabilidade, choro excessivo por motivos pequenos, dores nas costas (ombros ou nuca) ansiedade, etc. Um conjunto desses sintomas sendo freqüentes, fortes e não explicáveis organicamente podem indicar que você está passando por um momento de estresse. Se isso estiver acontecendo não deixe de procurar ajuda, pois o estresse pode ser controlado. Um bom profissional tem técnicas especificas para problemas como esses.


CLEONICE DE FÁTIMA DE ANDRADE 
CRP: 12/04023


Cleonice de Fátima de Andrade é Psicóloga / Terapeuta Cognitiva em Joinville.
Especialista
TC Joinville®
R. Ministro Calógeras,708 2ºand.
Centro - Joinville/SC
Tel: 47 3028-8083

ADOTEI UMA CRIANÇA...E AGORA?


A literatura brasileira está cheia de publicações importantes, pesquisas e estudos sobre diversos assuntos. Mas infelizmente dificilmente se encontra algo para auxiliar aquelas pessoas que resolvem adotar um filho. A adoção é um tema complexo que deveria receber mais atenção por parte dos profissionais e pesquisadores.

• A adoção é um ato de amor, de coragem e deve ser um exemplo seguido por muitas pessoas. Crianças adotadas são filhos do coração e é um gesto maravilhoso. São várias as crianças necessitando do amor de uma família na nossa sociedade, e são várias as famílias tendo muito amor reservado para essas crianças.

• No entanto, percebemos que essas famílias muitas vezes se encontram cercadas de dúvidas a respeito de como proceder na educação de um filho adotivo. Será que devemos contar a verdade? E se devemos contar, qual é o melhor momento? E se contarmos será que a criança ficará traumatizada? Será que ela vai deixar de amar a gente? Será que ela vai querer conhecer os pais verdadeiros? Perguntas como essas entre inúmeras outras, devem trazer grandes preocupações e noites de insônia para esses pais, além de gerar ansiedade.

• Mas a adoção, ao contrário do que muitas pessoas pensam, dificilmente trará problemas futuros para a criança ou para os pais se esses educarem seus filhos com flexibilidade. São os pais adotivos que estão criando e vendo a criança crescer que vão, através de seu comportamento e principalmente através da forma de falar e do conteúdo que utilizam nos momentos de comunicação e imposição de limites, modelar as maneiras como a criança vai ver a si mesmo, o mundo e futuro. Os pais devem ter consciência do impacto que suas palavras causam na formação da personalidade de seus filhos. As palavras que os pais utilizam para educar seus filhos tem um grande poder na formação do estilo explicativo que a criança vai se basear para interpretar o mundo.

• E é obvio que por mais naturalidade que a família tente passar para criança, vai chegar o momento em que ela vai perguntar, assim como todas as outras crianças, de onde veio. E esse é o melhor momento para uma explicação, porque a criança não quer saber se foi adotada. Ela quer saber de onde veio. Portanto sim, acreditamos que a criança deve saber desde o início a verdade, pois dificilmente um segredo pode ser mantido por toda uma vida. E como as pessoas a sua volta sabem de sua história e não podemos colocar um esparadrapo na boca de todos, um ou outro poderá acabar dando com a língua nos dentes. As crianças normalmente costumam fazer perguntas simples e se satisfazem com respostas simples. E na medida que sua capacidade de compreensão for aumentando elas voltam a questionar suas dúvidas. Cobrir os pais de "porquês" faz parte do desenvolvimento comum de todas as crianças.

• É importante salientar que os filhos adotivos devem receber a mesma educação que os filhos naturais. Devem receber limites da mesma forma que os outros. Os pais portanto, não devem aceitar provocações ou chantagens feitas pelos filhos adotivos, pois estes podem se utilizar dessas ferramentas quando frustrados, para fazer ameaças aos pais e conseguirem o que querem. Principalmente se eles descobrem que este é o ponto fraco dos seus pais. Pais adotivos podem sim, contrariar seus filhos quando estes precisam de limites. Crianças sem limites são mal educadas. E limite também é sinal de amor. Pais equilibrados emocionalmente educam filhos também equilibrados.

• As pessoas deveriam se apoiar mais nos profissionais da saúde mental para auxiliá-los no caso de dúvidas. Ninguém é perfeito e crianças não vem com manuais de instruções. Procurar ajuda de profissionais especializados não deveria ser motivo de vergonha ou preconceito, mas sim motivo de coragem em assumir que é um ser humano que muitas vezes se sente perdido em certas situações. Essa deveria ser a nossa realidade e não o que infelizmente observamos. Embora tenha aumentado bastante a preocupação dos adultos em relação aos problemas emocionais das crianças, ainda nos deparamos com grande dificuldade em conscientizá-los de que a criança ou o adolescente assim como o adulto também pode apresentar depressão, ansiedade, desesperança e até risco de suicídio.

• Os pais deveriam ficar atentos a certos comportamentos dos filhos que eles consideram inadequados e procurar um profissional para uma avaliação, independente que seja adotado ou não. A terapia cognitiva tem oferecido um excelente trabalho de prevenção da depressão e ansiedade direcionada tanto para os pais (futuros pais), quanto para os professores ou estudantes da área de psicologia. O objetivo desses profissionais é conscientizar as pessoas dos problemas emocionais mais comuns na infância e na adolescência, além de orientar os adultos ou responsáveis de como estabelecer limites a seus filhos e ainda prepará-los para uma qualidade de vida melhor, mantendo o equilíbrio emocional dessas crianças. Pais adotivos ou não, sempre terão dúvidas em algum período do desenvolvimento do seu filho. Eles devem estar cientes de que não estão sozinhos e que existem excelentes profissionais que estudaram exatamente para auxilia-los nesses momentos.




CLEONICE DE FÁTIMA DE ANDRADE 
CRP: 12/04023


Cleonice de Fátima de Andrade é Psicóloga Clinica Especialista -
 Terapia Cognitiva Comportamental

MULHERES BOAZINHAS NAO FAZEM SUCESSO

Atualmente estamos vivendo em uma época que homens e mulheres competem para atingir o rótulo de "bem sucedido" profissionalmente. Conseqüentemente o numero de pessoas estressadas está cada dia maior por sentirem-se sob pressão. A maioria das pessoas que procuram ajuda neste momento de estresse são mulheres desanimadas e ansiosas com suas carreiras. Elas questionam o motivo por ainda não estarem no topo mesmo depois de tantos esforços, correria, inteligência, dedicação total e competência no que fazem. A resposta a essa pergunta normalmente é automática na mente de muitas pessoas: "ainda vivemos em um mundo machista onde as prioridades serão sempre deles". Será? Por que então muitas mulheres atingiram o sucesso? O que elas fizeram para chegar lá e permanecerem no cargo importante tendo muitos homens como subordinados?

• Uma pesquisadora (Frankel, Lois, 2005) se dedicou totalmente a essa questão, entrevistando mulheres do mundo inteiro. Ela descobriu que as mulheres mesmo sendo inteligentes e capazes agem inconscientemente de forma prejudicial a sua carreira. Então garotas, o problema é nosso. O que estamos fazendo de errado? Aliás, vamos tomar cuidado com essa palavra "garota". O segredo do sucesso está exatamente nela. No mundo dos negócios você pode ser uma garota, mas nunca agir como se fosse uma e muito menos agir como homem. Em outras palavras, se mesmo depois de adulta a mulher continuar agindo como uma garotinha, lá estarão eles prontinhos para assumirem o lugar tão disputado. E porque uma mulher se comportaria como uma garota? Pense: desde criança as meninas aprendem que seu sucesso depende de algumas atitudes estereotipadas, tais como ser bem-educada, submissas, suaves, assim por diante. A sociedade reforça esse comportamento e a crença é enraizada. Então, são comuns elas crescerem e iniciarem suas carreiras agindo da mesma forma. O problema é que no mundo dos negócios essas atitudes não funcionam na maioria das vezes. Meninas boazinhas e submissas não fazem sucesso. Neste universo a pessoa precisa deixar de ser ingênua, ser objetiva e clara em relação aos seus desejos e expectativas, saber dizer "não" quando necessário, impor-se, formar a sua própria rede de relacionamentos, participar ativamente de reuniões, saber tomar decisões sozinhas em momentos de emergência sem medo de errar, nunca demonstrar insegurança e ainda não ter a necessidade de ser querida por todos o tempo todo. É óbvio que esses são apenas alguns exemplos, a lista continua. Difícil? Muito. Ser bem sucedida dá trabalho antes mesmo de iniciar a carreira. Identificar, desafiar e modificar certas crenças pode não ser fácil e se trata apenas do começo do processo. Muitas fazem a opção de continuarem a serem garotinhas porque é mais fácil principalmente quando elas têm em quem se apoiar. Isso porque é muito mais cobrado pela sociedade sermos delicadas e muitos podem achar estranho esse novos comportamentos vindo de uma mulher. Portanto, há apenas uma escolha a fazer: continuar sendo uma garotinha ou se tornar uma mulher. Uma boa terapia de reestruturação cognitiva pode ajudar a acelerar esse processo sem tantos danos emocionais. É importante entender que ser adulto não significa ser grosseiro com as pessoas, mas sim aprender habilidades sociais para atingir a flexibilidade. Portanto, no mundo feminino dos negócios, ser bem sucedida não depende apenas da competência e esforços extras é necessário ir muito além. É necessário principalmente, saber ser MULHER.



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Cleonice de Fátima de Andrade é Psicóloga Clinica Especialista / Terapeuta Cognitiva Comportamental

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segunda-feira, 23 de março de 2015

A IMPULSIVIDADE E O PROCESSO DE TOMADA DE DECISÃO

Por: Claudia Petlik Fischer, Maria Alice Fontes

Como os indivíduos impulsivos decidem?
A impulsividade pode levar o indivíduo a decidir de forma emocional, sem levar em consideração todos os aspectos de uma situação. É comum que as pessoas impulsivas tenham arrependimento futuro por não ter feito uma boa escolha no presente. Assim, a maioria dos indivíduos impulsivos apresentam algum tipo de prejuízo no processo de tomada de decisão.

O que é a impulsividade?
A impulsividade é caracterizada por um conjunto de comportamentos multidimensionais que estão relacionados à dificuldade de atrasar a gratificação imediata. A impulsividade pode ser considerada como um ajustamento ineficiente às situações imprevisíveis. O indivíduo impulsivo quer seu prazer no momento presente e tem dificuldade de adiar a gratificação imediata, para aguardar o que virá no futuro. Existem alguns estágios comportamentais que caracterizam a impulsividade: primeiro há um impulso resultante de uma tensão crescente, em seguida o prazer de fazer algo para aliviar a vontade e, finalmente, a culpa por ter feito a ação, que pode ou não ocorrer.

Quais são os riscos da impulsividade?
É comum encontrarmos pessoas impulsivas envolvidas em episódios de agressividade, violência, comportamento social negligente, além de abuso de drogas. Existem vários transtornos psiquiátricos caracterizados por impulsividade, a maioria apresenta características semelhantes como a incapacidade de resistir a uma tentação, desejo ou impulso que pode prejudicar a si mesmo ou aos outros. Muitos transtornos psiquiátricos tem a impulsividade como principal sintoma. Eles são, principalmente, os distúrbios relacionados a abuso e dependência de substâncias, parafilias sexuais, déficit de atenção e hiperatividade, alguns transtornos de personalidade, transtorno de conduta, esquizofrenia, transtornos de humor, jogo patológico, compras compulsivas e compulsão alimentar.

Quais são as regiões do cérebro relacionadas com a impulsividade?
O indivíduos impulsivos podem apresentar falhas neurofuncionais no sistema de autorregulação, localizado nas regiões pré frontais do cérebro. O controle inibitório, ou seja a habilidade de inibir comportamentos impulsivos é comparável a uma espécie de maestro do cérebro que regula o ritmo, organiza e monitora os comportamentos. Este conjunto orquestrado de ações é chamado de funções executivas, que quando apresentam falhas regulatórias podem ter consequências desastrosas para os indivíduos. Por outro lado, quando monitorada, com julgamento e controle, as funções executivas exercem um papel central no funcionamento harmônico do individuo. A córtex pré frontal (esquerda) é o regulador final do SCR- Sistema Cerebral de Recompensa. A ação da dopamina nele determina o comportamento de busca por prazer. Com este sistema regulado, o indivíduo tem a capacidade de tolerar momentos ruins, sem buscar alívio através de gratificações imediatas. Este sistema é a popular ?força de vontade?. Por outro lado, o instinto, o impulso e gratificação são mecanismos presentes em uma parte do cérebro muito primitiva, por isto a modulação é difícil e requer muito treinamento. Já a parte do cérebro capaz de modular tal mecanismo é desenvolvida por último a razão, lógica e raciocínio, ou seja, a parte humana e responsável pelo processo de tomada de decisão.

Qual o papel das funções executivas para o cérebro?
De acordo com Goldberg E (2001), o cérebro humano é o sistema natural de maior complexidade de todo o universo. As funções executivas envolvem a capacidade de resolver problemas com a manutenção de iniciativa, estabelecimento de objetivos, monitorizando o curso do que está sendo realizado por meio do auto controle e repensando as estratégias de acordo com o plano original. Estas funções complexas, envolvem ações continuadas de controle mental.

Como é feito o diagnóstico e tratamento?
A impulsividade pode ser um sintoma presente em transtornos psiquiátricos, um traço na personalidade e/ou uma reação diante de uma situação de stress. Fazer essa diferenciação é fundamental para definir o melhor tratamento. Se a impulsividade está presente em um transtorno psiquiátrico é indicado o uso de medicamentos reguladores da neurotransmissão. Quanto mais cedo a pessoa aceitar que precisa de tratamento, mais preparada estará para evitar consequências negativas da impulsividade. Se a impulsividade está presente na estrutura de personalidade a psicoterapia pode ser a melhor escolha. A impulsividade na reação aguda ao estresse é transitória, mas pode causar consequências danosas. Portanto, o autoconhecimento e o controle emocional são necessários para administrar as reações frente aos estímulos. A terapia cognitiva-comportamental é reconhecidamente eficaz no treinamento deste mecanismo. O indivíduo, a partir da consciência de seu funcionamento, poder optar ter controle da impulsividade através de técnicas cognitivas. Há também medicamentos (como o topiramato, por exemplo), que agem no sentido de aumentar o tempo entre o sentir e o reagir, para que o indivíduo possa utilizar este recurso para agir de forma mais controlada.

Bibliografia:
  • Elkhonon Goldberg. Contemporary Neuropsychology and the Legacy of Luria, Hillsdale, NJ: Lawrence Erlbaum, 1990.
  • Elkhonon Goldberg. The Executive Brain: Frontal Lobes and the Civilized Mind, NY: Oxford University Press, 2001; paperback 2002.
  • Elkhonon Goldberg. The Wisdom Paradox: How Your Mind Can Grow Stronger As Your Brain Grows Older, NY: Penguin, 2005; paperback 2006. UK edition: Free Press, Simon & Schuster, 2005.

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

REDEFININDO TDAH - FUNÇÕES EXECUTIVAS

  • ESCRITO POR DRA. ADRIANA L. C. R. DUTRA DE OLIVEIRA
O TDAH foi descrito tipicamente como uma tríade que inclui hiperatividade, déficit de atenção e impulsividade.  Esses três fatores, no entanto, não descrevem a totalidade dos problemas que essas pessoas experimentam. Russel Barkley (Barkley, R.A 2000 - Taking Charge of ADHD: The complete, authoritative guide for parentes. New York, Guilford Press) explica como, no TDAH, existe uma incapacidade de inibição do comportamento atual para que o passo futuro seja alcançado, devido a uma disfunção executiva.
 Desta forma, a IMPULSIVIDADE acontece quando não há inibição de um estímulo interno. A DISTRAÇÃO ocorre quando não há inibição de um estímulo externo. A HIPERATIVIDADE ocorre quando, não havendo inibição, estes estímulos serão checados. Essa disfunção executiva faz parte do "pacote" do TDAH e explica uma série de outros comportamentos dessas crianças. A partir do momento em que entendemos esses mecanismos, percebemos o quanto existe além da tríade "hiperatividade, impulsividade e déficit de atenção".

 E o que são funções executivas?
  Imagine a manhã de um domingo. Você vai fazer um churrasco e receber os amigos. Isso exigiu que você planejasse, organizasse sua agenda, fosse flexível, ajustando as diferentes tarefas ao seu tempo livre, usasse sua memória de trabalho e consultasse nela as lições que você aprendeu ao preparar reuniões anteriores. Você também teria que ter noção de tempo, para determinar a que horas precisaria começar a cozinhar. Precisaria iniciar o trabalho no tempo determinado, e mesmo que estivesse fazendo alguma coisa muito agradável naquele momento, digamos lendo jornal, você mudaria o seu foco da atividade (de ler para cozinhar), inibindo o prazer da leitura, e, usando o seu autocontrole, começaria a trabalhar. Todas essas funções (inibição, iniciação, memória de trabalho, oraganização, noção de tempo, flexibilidade, entre outras), são chamadas FUNÇÕES EXECUTIVAS, se processam em grande parte, nos lobos frontais e pré-frontais.
 É muito importante reconhecer que existe uma gama enorme de comportamentos que são afetados pela disfunção executiva e que muitas vezes dificultam a vida  junto à familia, amigos, escola e outras atividades sociais. Vamos ver como essa disfunção pode se manifestar na escola e o que pode ser feito para ajudar a desenvolver essas funções executivas que são deficientes. É verdade que muito do que é sugerido aqui se aplica a todas as crianças em termos de estrutura, persistência, supervisão, lembretes. Mas crianças com TDAH precisam de MAIS estrutura, MAIS persistência, MAIS supervisão, MAIS lembretes. Cada criança tem seu conjunto de características, nem um TDAH é igual a outro.  Cabe a nós identificarmos os déficits presentes e traçarmos um plano. O plano nos dá a segurança de não sermos pegos de surpresa, de nos sentirmos no controle. Então, mão à obra.

FALTA DE INIBIÇÃO - É uma das características chaves do TDAH. A falta de inibição de um pensamento leva à desatenção. A falta de inibição de uma reação leva à impulsividade. A não inibição de uma ação física gera a hiperatividade. A  falta de inibição de um pensamento leva à desatenção.

ORGANIZAÇÃO - Algumas pessoas são muito organizadas, mas a maioria dos portadores de TDAH, por natureza, não o são. Além da dificuldade de organização dos pensamentos, há dificuldade para se criar e manter um sistema organizacional necessário para o estudante estar em dia com suas obrigações. Na prática o que acontece é que o aluno não usa um sistema de agenda, ou não anota nela as tarefas, o que deve ser levado na escola, os trabalhos a serem entregues em curto prazo. Às vezes ele faz a lição e esquece em casa. Outras vezes, não sabe qual é a lição. Esquece as datas das provas, não se lembra de estudar a matéria....

INCONSISTÊNCIA - quando muito motivadas, pessoas com TDAH podem executar uma tarefa perfeitamente. Na semana seguinte, quando perderam a motivação, a tarefa se arrasta infinitamente. Isso faz com que essas crianças sejam criticadas até pelo seu sucesso (O que é isso? Você fez isso ontem tão bem... Deixe de ser preguiçoso!). O mesmo princípio se aplica ao se iniciar uma tarefa (o fator novidade é um grande motivador) e no início, a criança executa bem. Após algum tempo, com a repetição, o interesse vai embora e com ele a tarefa. Você pode achar que não é justo, que todo mundo faz muito melhor quando está motivado. Mas o fato é que, realmente, é MUITO mais difícil para essas crianças fazerem as coisas sem motivação.
DIFICULDADE PARA INICIAR E TERMINAR TAREFAS - Imagine uma cabeça com MUITAS ideias, MUITOS planos, MUITOS projetos. Para a imaginação  se tornar realidade é preciso organizar as ideias, priorizá-las e dar o primeiro passo. É preciso que a criança pare o que está fazendo (inibir um comportamento) para dar esse primeiro passo. Uma vez iniciado o trabalho, é preciso persistir nele, mesmo quando a novidade tenha se esgotado e finalizá-lo, fazendo pequenos numerosos e, às vezes, aborrecidos acertos finais. Tudo isso é MUITO difícil para que tem TDAH. Por isso é tão comum para eles deixarem para depois ou abandonar o projeto no meio do caminho, quando toda a energia positiva já se esgotou.
 DIFICULDADE NA EXECUÇÃO DAS TAREFAS - sim, as ideias são muitas, e, com muita motivação, a criança com TDAH começa a colocar a ideia em prática, para, bem no começo, verificar que, entre a ideia abstrata e a vida real, concreta, existe uma distância enorme a ser percorrida. Você sabe, antes de se fazer um bolo, a gente tem que ter a receita, ou ao menos a noção de quais ingredientes serão usados. Temos que rever, mentalmente  na prática, se temos em estoque tais ingredientes. Talvez tenhamos que comprar algum. Ai, finalmente, podemos colocar a mão na massa. Mas não se esqueça que existe uma ordem certa para se colocar cada ingrediente. Muitos passos, não é? Exige pesquisa ou conhecimento anterior. Precisa ler a receita, ou o manual. Quem gosta? Precisa planejamento e antecipação.
E na escola? Com tantas idéias na cabeça seria natural que essas crianças fizessem ótimas redações,  não? Mas como fazer as idéias se organizarem numa sequencia lógica e interessante para o leitor? Como fazer o aluno escrever, já que ele detesta? E quem vai ler aquela letra?
PROBLEMAS NA TRANSIÇÃO DE TAREFAS- Talvez você já tenha presenciado a cena. Você anuncia uma atividade e o aluno não quer fazer. Reclama, demora, enrola, se queixa, até que finalmente, ele se engaja. E mais, ele gosta. Então, chega a hora de parar, de mudar para o próximo tópico. Aí o aluno não quer mudar, reclama, demora, enrola, num eterno ciclo vicioso. A mudança de uma atividade para outra, quando comandada por uma terceira pessoa, com outra dimensão de tempo, é muito difícil para a criança com TDAH. Muitas vezes, é causa de explosões descontroladas, que parecem descabidas.
 NOÇÃO DE TEMPO- crianças com TDAH em geral tem uma pobre noção de tempo. Quando estão muito interessadas, podem ficar uma hora em uma atividade e juram que só se passaram 15 minutos. Quando estão se arrumando para escola, ao contrário, levam uma hora para fazer o que outras crianças gastam quinze minutos. Quando estão sonhando acordadas, não percebem que o relógio continua andando e elas, se atrasando na lição, para os compromissos...

POBRE APRENDIZADO COM EXPERIÊNCIAS E ERROS PASSADOS - sim, todos nós, seres humanos, aprendemos com nossas experiências passadas. Isso garantiu a sobrevivência de nossa espécie. Só que algumas pessoas tiram mais benefícios dos erros e experiências do que outras. É natural pensar que, uma pessoa com disfunção executiva, tenha dificuldade em avaliar adequadamente como e o porquê suas atitudes, suas escolhas, interagindo com outras pessoas em determinada situação, provocaram certo desfecho. Por exemplo, no caso de um trabalho escolar que a classe tenha 2 semanas de prazo para entregar. O que deveria ser feito em quinze dias, envolvido pesquisa, redação, ficou esquecido, muito tempo atrás, numa página da agenda. Se é que foi escrito na agenda. Você resolve que já é hora desse aluno ter responsabilidade. Não enregou o trabalho? Vai ganhar um zero! Da próxima vez ele vai aprender. Certo? Errado. Da próxima vez e da próxima e da próxima, se nada for feito, o problema se repetirá. E isso significa que não tem fim, que não tem jeito?

POBRE AUTO-AVALIAÇÃO- é comum crianças com TDAH não perceberem adequadamente seu desempenho. É como se eles se olhassem naqueles espelhos de parque de diversões, nos quais ficamos muito mais altos e magros ou muito gordos e baixos. Em termos acadêmicos acham que se saíram bem na prova, quando na verdade foram mal. Julgam que aquele projeto, desenvolvido a duras penas, merece uma nota boa, quando na verdade está muito abaixo das expectativas. Em termos sociais, acham que são mais queridos pelos colegas do que o são na realidade. Com o tempo, com a enxurrada de julgamentos negativos, de reprimendas,  a auto-crítica deficiente pode ser substituída por uma sensação constante de falência. É fácil perceber porque a auto-avaliação é fraca. Seria necessário estar consciente de sua fala, de sua linguagem corporal, processar o que vai ser entregue para a outra parte. Ler os diferentes tipos de linguagem recebidos. Poder dar e receber. Ser empático. Pensar antes de falar. 
Escutar. As crianças com TDAH têm dificuldade em tudo isso. E ao receber um comentário da outra pessoa,  não prestam atenção, não conseguem perceber nenhuma pista de que não estão agradando. Quando em sala de aula se envolvem em algum atrito, não conseguem se enxergar como parte do problema. A culpa é do outro. Não percebem o poderia ser evitado, o que desagradou a outra parte.
DIFICULDADE PARA TER CONVERSA INTERNA- Parte do que foi descrito anteriormente se relaciona com a inabilidade da criança ter uma conversa interna, identificando o que está pensando no momento e o que e como pode ser usado para a solução dos seus problemas. Durante a aula, a criança não reconhece o momento em que sua atenção se desviou do professor para o aluno do lado. A menina que está sonhando acordada não está pensando, naquele momento, no que está se passando na sua cabeça. O menino, na solução de um conflito, não pensa em quais as possibilidades ou recursos podem ser usados. Não está consciente das suas emoções. Portanto, não está bem preparado para agir, apenas para reagir.

REAÇÕES DESPROPORCIONAIS -tolerância a frustrações é uma habilidade frequentemente deficiente nas crianças com TDAH. Não é incomum a criança entrar numa espiral de descontrole como resposta a algo pequeno, que nem foi notado pelas outras pessoas. Ross Greene, em The Explosive Child, diz que, se a criança soubesse fazer melhor, ela logicamente o faria. E que provavelmente, a criança que tem uma resposta desproporcional, está respondendo a uma emoção também desproporcionalmente forte dentro de si. A boa notícia é que essas habilidades podem ser ensinadas ao longo do tempo.

INFLEXIBILIDADE- entre o branco e o preto existem infinitos tons de cinza, certo? Errado. Para parte das crianças com TDAH, cinza não existe. Nem a possibilidade de mudança de planos. Ou de alteração de projetos. Ou de compromissos suspensos ou adiados. Não quando isso é imposto por outras pessoas ou situações diversas. O que poderia ser facilmente contornado se torna um grande problema, um impasse, um escândalo.

Agora que você já sabe o que são disfunções executivas e como elas se manifestam no TDAH você provavelmente já identificou várias situações familiares. Oferecer um suporte adequado para essas  crianças é fundamental para que elas se tornem mais hábeis nessas funções. Assim como o míope necessita de óculos, as técnicas acima descritas podem ser comparadas a uma prótese. Elas fazem com que a criança tenha mais sucesso na vida diária, aumentando sua confiança e reduzindo o risco de problemas secundários como depressão, ansiedade. A boa notícia é que um dia, eventualmente, essas crianças podem não mais precisar desses "óculos".
É preciso lembrar que a criação de hábitos e rotinas e sua repetição exaustiva é a maneira mais efetiva de se desenvolver as funções executivas. Mas é preciso repetir e repetir inúmeras vezes, até que se torne automático. E isso leva tempo. Vamos começar logo!
Fonte: www.aprendercriança.com.br 

TDAH e Funções Executivas

Por Cacilda Amorin

Há um conjunto de competências necessárias para lidar consigo mesmo e fazer uso dos recursos disponíveis. Alguns bons exemplos são organização, gerenciamento do tempo, controle das emoções e da impulsividade, estabelecimento de objetivos, planejamento, etc.


Estas competências são conhecidas como Funções Executivas, por estarem diretamente ligadas ao uso de recursos pessoais e à sua utilização tendo em vista alcançar algum objetivo. É possível entender melhor estas funções comparando-as a um administrador ou gerente de um sistema complexo – no caso, nós mesmos. Estas funções tornam possível lidar com tarefas e resolver problemas como preparar uma palestra, planejar uma viagem ou consertar um brinquedo.

Todas as funções executivas tem algum tipo de relação com situações onde "comando" e "controle" são necessários – em termos mais amplos, podem ser vistas como as grandes condutoras de todas as habilidades cognitivas. Estão diretamente relacionadas a comportamentos auto-organizados e voluntários. São necessárias para lidar com todas as exigências práticas da vida, bem como enfrentar o stress e manter relacionamentos.

As funções executivas não são habilidades isoladas; muito pelo contrário, são altamente inter-relacionadas e inter-dependentes. Problemas com funções executivas – conhecidos também como Disfunções Executivas, podem ser encontrados em crianças e adultos sem nenhum outro transtorno ou psicopatologia. Apesar disto, são muito comuns em casos de transtornos psiquiátricos, de desenvolvimento.

Disfunções executivas são uma marca central do TDAH, tanto que muitos especialistas da área consideram ser esta a origem principal do transtorno. Nesta concepção, o déficit de atenção seria decorrente de problemas de modulação da atenção – como se sabe, pessoas com TDAH – distração e desatenção conseguem prestar atenção, muitas vezes de extrema intensidade, chegando a um hiperfoco. Contudo, enfrentam problemas com controle voluntário e auto-direcionado do foco. A hiperatividade representa um déficit em inibição motora, assim como a impulsividade está relacionada a uma inibição pobre dos impulsos.

A lista de quais habilidades fariam parte destas Funções Executivas varia entre os autores e pesquisadores da área. A lista a seguir apresenta as mais importantes e reconhecidas. Os exemplos descrevem situações na qual a função foi ou deixou de ser usada.

Inibição

É a capacidade em parar o próprio comportamento quando apropriado ou necessário. Pode envolver parar ações físicas (como parar de comer) ou ter controle sobre os próprios pensamentos (deixar de lado um pensamento negativo). A inibição é o oposto da impulsividade – a própria definição da impulsividade baseia-se na dificuldade ou pouca capacidade de controlar / inibir os próprios impulsos. A inibição é também um componente essencial da capacidade de "pensar antes de fazer" – ou seja, inibir o curso mais natural da ação por algum tempo. Assim, torna-se possível a manifestação de outras funções mais complexas, como identificar, julgar, ponderar – que, eventualmente, poderão levar a uma mudança ou interferência no curso desta ação.

Flexibilidade

É a habilidade que torna possível alternar pontos de vista, posicionamentos ou formas de encarar situações. Esta possibilidade de ter contato ou experimentar perspectivas diferentes torna possível avaliar, julgar e fazer escolhas melhores. A flexibilidade torna também possível alternar, redirecionar o foco da atenção e posteriormente retomá-lo. Por exemplo, um jovem está triste pois a namorada não telefona; daí, tenta se colocar no lugar dela e imaginar porque ela teria deixado de ligar.

Controle emocional

Esta é uma das habilidades mais importantes, sob a perspectiva daquilo que nos torna humanos. A capacidade de modular as reações emocionais é fundamental, tanto para os relacionamentos interpessoais quanto para a realização de objetivos. Um homem foi criticado no seu trabalho e imediatamente sente medo em falhar novamente; ao mesmo tempo, consegue entender que o sentimento de mal-estar não significa necessariamente que coisas ruins acontecerão novamente – com isto, passa a sentir-se melhor.

Iniciação / volição

É a habilidade em iniciar uma ação ou atividade; também é relacionado à capacidade de gerar alternativas, soluções e estratégias para resolução de problemas. Uma mulher acima do peso precisa fazer exercícios, coisa que não lhe traz nenhum prazer. Ainda assim, pensa em fazer um acordo consigo mesma, prometendo comprar uma blusa nova quando perder uma quantidade específica de peso. Como sabe que terá dificuldade, pensa também em levar o MP3 para a sala de ginástica.

Memória de trabalho / operacional

É uma função de memória de curto prazo, que permite manter as informações "na cabeça", durante a realização de uma tarefa. É muito instável e muito sensível a interferências externas. Um bom exemplo é de memória de curto prazo é discar um número de telefone – é possível mantê-lo na memória enquanto é discado, porém logo é esquecido.

Planejamento e condução

É a habilidade de lidar com demandas atuais, relacionando-as a metas e possibilidades futuras, de modo a gerar um plano de ação. Um jovem vendedor pretende trocar seu carro e precisa obter um certo valor com o carro atual. Faz uma pesquisa sobre o valor do carro atual, pondera o quanto custariam alguns reparos e quanto isto agregaria ao valor final de venda. Leva também em conta o tempo necessário para providenciar os reparos, pois prejudicará seu trabalho nestes dias e, portanto, suas comissões.

Auto-monitoramento

O monitoramento envolve a habilidade em acompanhar a realização da ação, julgá-la pela comparação com o anteriormente planejado e com os objetivos finais, alterando seu curso caso necessário. Uma professora faz a lista das atividades que devem ser incluídas no seu planejamento de aula. Em seguida, começa a providenciar os materiais para elas. De tempos em tempos, avalia o quanto já avançou e o quanto falta para terminar o trabalho. Como percebeu que foi bastante rápida na seleção das primeiras, sabe que agora tem tempo suficiente para pensar algumas opções bem criativas para as últimas.

Organização do espaço e dos materiais

É a habilidade em alterar a disposição e/ou localização de objetos e materiais nos espaços disponíveis, de modo a facilitar o curso das ações relacionadas. Organização é mais que simplesmente ordem e limpeza; mais que isto, tem relação direta com facilitar os objetivos planejados. Uma mãe precisa arrumar a mala das crianças e colocá-las no carro para a viagem de férias. Como sabe que a viagem será longa, deixa ao fundo as malas de roupas e, mais acima, duas mochilas com brinquedos e uma sacola com bebidas e biscoitos.

Link para o artigo original: www.dda-deficitdeatencao.com.br/tdah-funcoes-executivas.html - Escrito por Cacilda Amorim, Diretora Clínica do IPDA.