quinta-feira, 21 de março de 2013

O que é o Transtorno Bipolar ?



Para ensinar eficazmente o seu aluno com transtorno bipolar é preciso ter uma compreensão básica desta doença.

O transtorno bipolar é uma doença que afeta a parte mais complexa do corpo, que é o cérebro. Este transtorno envolve tanto a estrutura como o funcionamento anormal do cérebro. Além disso, os pesquisadores encontraram níveis anormais de substâncias químicas neurotransmissoras e atividade celular anormal no cérebro. Os estudos genéticos têm ligado múltiplos genes para transtorno bipolar, incluindo dois que são responsáveis pela construção do cálcio e canais de sódio no cérebro.

O transtorno bipolar afeta o nível de energia da pessoa, também seus pensamentos, humor e comportamentos. A pessoa que sofre de transtorno bipolar tem experiências de extremas mudanças no humor variando de depressão para mania.

Diminuição dos níveis de energia, tristeza sem motivo, falta de motivação, irritabilidade, raiva, sentimentos de desprezo pela segurança pessoal e sentimentos suicidas são alguns dos sintomas que podem marcar um período de depressão. O aumento dos níveis de energia, humor exaltado, pobre impulso para controlar-se, pensamentos grandiosos, pensamentos muito acelerados, agitação e agressividade são alguns dos sintomas que podem marcar um período de mania.

As crianças que manifestam transtorno bipolar frequentemente passam por estas experiências de variação do humor em um mesmo dia. Também podem misturar os sintomas de mania e depressão, formando o que é chamado de estado misto. Durante as diferentes fases da doença, as crianças podem aparecer lentas, irritadas, zangadas, oposicionistas, taciturnas, chorosas, hiperativas, desatentas, distraídas, falantes, arrogantes ou sem controle.

Devido a natureza crônica de sua condição, é requerido medicação e tratamento.Quando tratadas com a devida medicação diferentes crianças vão atingir vários níveis de estabilidade. Esta estabilidade pode variar grandemente durante o ano escolar. Ela pode ser afetada por surtos de crescimento, alterações sazonais, aumento do stress, entre outras coisas. Em um ponto do ano, um aluno bipolar pode estar no topo da sua classe. No mesmo ano, o aluno pode achar difícil se  não mesmo impossível frequentar a escola.

Por Cláudia Hoffmann Ribeiro

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Psicoterapia Infantil: Pesquisa Interessante: Falta de maturidade pode ser confundida com TDAH

Uma nova pesquisa sugere que crianças mais novas do que seus colegas de classe são mais propensas a serem diagnosticadas com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Segundo o estudo, que foi publicado na edição do mês de março do periódico Canadian Medical Association Jorunal, muitas vezes o aluno, por ser mais imaturo do que os outros, recebe um diagnóstico errado e tratamento desnecessário para o TDAH.

Para chegarem a essa conclusão, pesquisadores da Universidade British Columbia, no Canadá, acompanharam durante um ano mais de 900.000 crianças de 6 a 12 anos. Eles compararam jovens da mesma sala de aula que haviam nascido em janeiro com os que haviam nascido em dezembro, ou seja, que eram aproximadamente um ano mais novos do que os seus colegas de classe.

Resultados — Os meninos mais novos tiveram 30% mais chances de serem diagnosticados com TDAH e foram 41% mais prováveis de receberem o tratamento para o problema do que aqueles que eram quase um ano mais velhos. Entre as meninas, essas probabilidades foram, respectivamente, 70% e 77% maiores. De acordo com os pesquisadores, trata-se de um resultado curioso, já que os garotos têm três vezes mais riscos de sofrerem de TDAH do que as meninas.

“A falta de maturidade está sendo interpretada, muitas vezes, como um caso de TDAH”, afirma Richar Morrow, coordenador do estudo. Para os pesquisadores, tanto pais quanto professores e médicos devem ser cautelosos e estar cientes de que a imaturidade pode imitar alguns dos sintomas do TDAH. Além disso, para que a criança não seja prejudicada por diagnósticos errados, é preciso que o comportamento delas seja observado também fora do ambiente escolar.

Segundo estudo, as crianças mais jovens do que seus colegas de sala lutam mais contra a falta de atenção e o controle dos impulsos. Por isso, o diagnóstico do TDAH deve se basear em comparação com jovens da mesma idade e sexo. A pesquisa conclui que esses resultados reforçam a preocupação que deve existir em torno do excesso de diagnóstico e das consequências que ele pode provocar.

Fonte: Revista Veja

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

O que é fobia social?

por Thaís Petroff

Fobia social - Entre os sintomas surgidos frente a uma exposição social está uma ansiedade intensa semelhante a uma crise de pânico. O tratamento é feito com psicoterapia e medicamentos. Entre as técnicas psicoterapêuticas está a exposição gradual a situações sociais.

É o excesso de ansiedade ou medo persistente de situações nas quais se acredita que se possa ser avaliado enquanto desempenha alguma tarefa comum, como por exemplo, comer, escrever, falar, entre outras coisas, a ponto de impedir de executar ou dificultar grandemente a realização dessa atividade. Há a crença de que se possa comportar de maneira humilhante ou vergonhosa.

Para se fazer o diagnóstico de fobia social é necessário que a pessoa apresente uma forte sensação de ansiedade ou desconforto sempre que exposta a determinadas circunstâncias. Por exemplo, sempre que for falar algo em frente a um grupo (mesmo que de conhecidos ou amigos) a pessoa sente muita ansiedade, sendo de tal forma intensa que pode até parecer uma crise de pânico.

É natural sentir-se acanhado ou incomodado quando se é observado. Todos nós somos um pouco tímidos, ansiosos e inseguros em certos ambientes e diante de estranhos ou pessoas que acabamos de conhecer. Esse grau de timidez varia de pessoa para pessoa de acordo com a situação. Embora seja normal ficarmos pouco à vontade nessas ocasiões, a tendência é de vencermos a inibição inicial e irmos nos familiarizando com a situação e entrosando com as pessoas. Alguns não conseguem isso, evitam certas situações a todo custo. 

Desse modo, passa-se a considerar essa vergonha ou timidez como patológicas a partir do momento em que a pessoa sofre algum prejuízo pessoal por causa dela, como deixar de dar sua opinião sempre que se está em grupo, isolar-se socialmente, repetir uma disciplina, abandonar a faculdade, pois há como quesito final uma apresentação pública. 

Sendo assim, a intensidade da ansiedade nas pessoas com fobia social é desproporcional ao nervosismo que a mesma situação surtiria em outras pessoas sem esse diagnóstico. Em função disso, elas se apavoram só de pensar em determinadas situações e por isso passam a se esquivar delas podendo sofrer perdas pessoais e profissionais, chegando ao extremo de evitar qualquer contato social.

Sintomas


Não há sintomas específicos de fobia social; como qualquer transtorno de ansiedade os sintomas são aqueles típicos de qualquer manifestação de ansiedade. O que caracteriza particularmente esse transtorno é o desencadeamento dos sintomas de ansiedade sempre que o fóbico social é exposto à observação de outros (e portanto sente-se julgado) enquanto executa uma atividade. 

As reações mais observadas são:

• taquicardia,
• tremores,
• sudorese,
• boca seca,
• sensação de bolo na garganta,
• dificuldade para falar,
• ondas de calor,
• rubor,
• dor de barriga,
• diarreia,
• vontade de fazer xixi,
• tonteiras,
• falta de ar,
• mãos geladas,
• ataque de pânico.

Diante da exposição, a pessoa com fobia social terá vontade de sair do local onde se encontra o quanto antes, ou ainda buscará evitar essa situação como puder. Há também a preocupação por antecipação com as situações onde estará sob a apreciação alheia, despertando a ansiedade antecipatória, resultando em sofrimento de até dias antes do evento, podendo influenciar o sono, a concentração, o humor e o apetite. 

A pessoa reconhece que o medo é irracional, ou seja, a autocrítica está presente, no entanto sempre que ela pensa ou entra em contato com a situação fóbica, ela não consegue evitar sentir-se muito incomodada e ansiosa. O que faz com que isso aconteça é a intensidade de pensamentos negativos e a avaliação negativa frente a si mesma. A pessoa só percebe as dicas de não aceitação do ambiente. Exemplo: um fóbico social foi a uma festa de aniversário e, no dia seguinte, lembra-se de todas as pessoas que não o cumprimentaram, do aniversariante que mal falou com ele, das pessoas com quem tentou conversar, mas deixaram o assunto morrer. Nunca se lembra, porém, daquelas que o abraçaram, sorriram e ficaram felizes por ele ter ido à festa. 

Sendo assim não é necessariamente a situação que é ameaçadora ou ruim, mas a interpretação ou percepção que se faz dela. É como se a fobia social criasse um filtro que provocasse um desvio de memória e atenção que só o deixasse perceber as situações negativas que reforçam suas crenças disfuncionais (negativas) frente a si mesmo, aos outros e ao mundo. Isso é comum nas pessoas ansiosas, uma vez que elas só percebem o que está dando errado, os revezes, e nada do que está dando certo.

Surgimento e causas

A fobia social pode surgir em qualquer época da vida: infância, adolescência, fase adulta ou velhice.

As causas mais comuns são:

• Pais tímidos ou fóbicos sócias, os quais além da contribuição genética, “ensinam” seus filhos a pensarem a agirem como eles, perpetuando essa maneira de ser/agir;

• A falta do treinamento ou do desenvolvimento das habilidades sociais, acarretando em sérias dificuldades nas situações sociais;

• Bullying - Crianças provocadas e maltratadas pelos colegas de escola, que vivenciam experiências marcantes de rejeição e sofrimento no relacionamento interpessoal, são mais suscetíveis ao aparecimento da fobia social. Na verdade, a provocação entre crianças é um caminho de duas mãos: tanto a criança mais tímida e fóbica social é vítima fácil dos gozadores de plantão, quanto à vitimização faz com que a criança torne-se mais tímida e fóbica social.

• Alguma situação constrangedora ou humilhação que a pessoa tenha passado e que desencadeie um medo de vivenciar essa situação novamente (como se fosse um trauma).

Tratamento

O tratamento da fobia social é realizado basicamente de duas maneiras: com medicamentos e psicoterapia. 

Dentro do tratamento medicamentoso, são utilizados os tranquilizantes ou ansiolíticos no intuito de diminuir o tremor, a taquicardia e a sudorese. No entanto, como esses medicamentos não são indicados para uso estendido em função de poderem causar dependência, os antidepressivos também são muito utilizados para os mesmos objetivos, além de melhorarem a disposição, o humor e juntamente com a terapia a maneira negativa de “enxergar” as situações. 

Muitas vezes os medicamentos são combinados para se potencializarem e após algum tempo, pode-se suprimir o uso de um deles e manter o outro (ex. como o ansiolítico tem uma resposta mais rápida do que o antidepressivo, pode-se manter os dois juntos por certo período e após o início terapêutico do antidepressivo, suprimir o ansiolítico ou somente utilizá-lo em situações específicas e isoladas).

Quanto ao tratamento psicoterapêutico, o mais indicado é a terapia cognitivo-comportamental. Para o caso das fobias sociais, as psicoterapias analíticas têm pouco ou nenhum resultado, pois além de elas serem menos focadas e estruturadas, demorando mais a demostrar ou proporcionar os ganhos do processo ao paciente, também geralmente focam-se em pesquisar a origem dos sintomas. Na fobia social, é muito comum que os paciente saibam de onde vêm seus sintomas, no entanto nesses casos (assim como em muitos outros) descobrir a origem dos mesmos, não cessa seu aparecimento. No tratamento cognitivo-comportamental da fobia social o foco é o presente e o futuro e o objetivo é mudar o comportamento fóbico.

Uma das metodologias utilizadas é a da exposição, na qual o paciente é encorajado e exposto às situações que teme de maneira gradual, crescente e controlada, no intuito de dessensibilizá-lo ao estímulo fóbico. Há também o treino das habilidades sociais, no qual o paciente desenvolverá um repertório maior de habilidades, nas quais muitas vezes não teve oportunidade de aprender ou desenvolver quando criança ou adolescente. Inclui-se aqui a expressão adequada das emoções, conhecida como treino de autoafirmação ou de assertividade. Com o tempo o paciente passa a viver a situação fóbica como outra pessoa qualquer. 

Relatos

Mulher executiva que desde criança incomodava-se muito em estar presente nas comemorações (inclusive do seu próprio aniversário), pois as pessoas vinham abraçá-la, beijá-la, falar com ela e ela incomodava-se muito com isso. Hoje apresenta grande dificuldade em ser assertiva, ou seja, em colocar o que pensa e expor o que sente (principalmente emoções ligadas à raiva), gerando diversos problemas e complicações em sua vida. Quando questionada sobre o motivo de sua dificuldade, relata receio quanto ao julgamento do outro, mesmo quando não possui laços com as pessoas envolvidas. Outra dificuldade é colocar sua opinião sempre que está em grupo (mais do que duas pessoas). Pensa que não saberá se colocar, que não terá um bom desempenho em sua fala e que os outros poderão fazer mau juízo dela. Ela ainda passa por processo terapêutico.

João (nome fictício) é um jovem que se queixa muito de se ver como inadequado frente a grupos, julgando-se chato, inconveniente e por isso evitando o contato social sempre que haja mais de uma pessoa envolvida. Diz que quando está somente com um amigo ou amiga sente-se à vontade, mas com mais pessoas percebe-se recatado e não sabe-se portar. Relata que sua maior dificuldade é para conhecer garotas. Diz nunca ter conseguido chegar em uma, pois acredita que fará papel de ridículo, mesmo quando fica claro para ele uma demonstração de interesse por parte dela. Mas hoje, quando alguém apresenta uma garota a ele, ou seja, esse momento inicial de aproximação é superado, percebe não ter dificuldade alguma e relata conversar bem e sentir-se à vontade.

Fonte: www.uol.com.br (Vya Estelar)