quarta-feira, 26 de outubro de 2011

QUANDO O RELACIONAMENTO ACABA

Steven Carter & Julia Sokol (2006) 

a)      Embora o sofrimento pela perda de um relacionamento dure bastante tempo, o objetivo é se desvencilhar da dor o mais rápido possível – e isso significa não olhar para trás.
b)      Tentar continuar a ser amiga de um homem que acabou de partir seu coração é tão seguro quanto saltar de pára-quedas.
c)     Tentar fazer com que ele lhe dê uma explicação razoável para a separação é perda de tempo... Você jamais ficará satisfeita com o que ouvir.
d)      Após o termino de um relacionamento, seus sentimentos tendem a ficar mais exacerbados e descontrolados. É perigoso agir impulsivamente movida por esses sentimentos.
e)       As separações sempre parecem acontecer no pior momento possível: no meio de um feriado, de uma crise familiar, na semana que anteceder o Natal ou na véspera de datas importantes como o dia dos namorados ou o seu aniversario.
f)      Implorar, suplicar, chorar e escrever cartas afasta mais ainda a pessoa que quis a separação. Se você precisar escrever, escreva, mas envie a carta para você mesma. Quando precisar se lamentar, faça-o com uma profissional.
g)      O tipo de relacionamento que você quer de volta frequentemente é aquele que jamais existiu.
h)        Embora não acredite nessa possibilidade, você sobreviverá ‘a separação e emergerá mais forte e mais sábia.
i)        O homem que termina um relacionamento com você tende a reaparecer na sua vida no momento em que você decide que não o quer mais.
j)      Querê-lo de volta provavelmente não é o que você de fato quer... É apenas o que deseja quando está sofrendo.
k)        Superar a dor da perda de um amor parece levar um tempo aparentemente infinito e há muitos avanços e recuos. É importante que você acredite que irá superar essa perda. Continue apenas cuidando de si mesma.
l)    Às vezes a melhor maneira de cuidar de si mesma é encontrar um profissional competente e atencioso para ajudá-la.

Após a separação você não deveria pensar:

  • Em como ele está se sentindo neste momento;
  • No que ele está fazendo nesse momento;
  • Nas outras mulheres que ele pode ter conhecido;
  • No quanto ele vai sentir a sua falta;
  • No que você poderia ter feito para evitar a separação;
  • No que você poderia ter dito para evitar a separação;
  • No que você vai sentir mais saudade em relação a ele;
  • Em seus momentos de intimidade com ele;
  • No que você pode fazer para tê-lo de volta;
  • Em como você pode se vingar;

Após a separação você deveria pensar:

  • Em tirar férias;
  • Em todas as qualidades positivas que poderá encontrar no novo homem que você vai conhecer – as qualidades que “ele” não tem.
  • Na sua liberdade;
  • Na coisa mais sórdida e imbecil que ele fez;
  • Nas suas maravilhosas qualidades que ele nunca apreciou;
  • Em todas as coisas que você deixou de fazer por causa desse relacionamento (lugares aonde você queria ir, coisas que você queria fazer... e ele não estava a fim).
  • Em todas as qualidades ruins dele (chato demais, exigente demais, carente demais, muito resmungão, muito controlador, muito insensível, muito vulgar, muito egocêntrico...)
  • Nas pessoas de sua vida que estão sempre do seu lado;
  • Em todo o tempo que você terá para voltar a fazer coisas com seus amigos;
  • Em um presente que você merece apenas por ser você;

Características de alguem legal:

  • Ter estilo realista: tem um lar de verdade, um emprego de verdade, uma família de verdade, contas pra pagar, animais de estimação e uma maneira realista de lidar com tudo isso;
  • Tem metas realistas:
  • Sentem atração por mulheres que refletem seus valores e seus interesses: se mantém distante de grandes obsessões;
  • Quer uma mulher com quem possa compartilhar a vida;
  • Não tenta manipular nem usar uma mulher;
  • Apóia sem tentar controlar;
  • Sabe escutar o que uma mulher diz;
  • É justo e sabe compartilhar responsabilidades;
  • É honesto;
  • Não tem limitações irracionais:
  • É capaz de comprometer-se;
  • É bem intencionado
Steven Carter & Julia Sokol (2006)

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

BULLYING: QUANDO A ESCOLA VIRA UM TORMENTO

Exclusão, apelidos, brigas, humilhação, provocação, repressão, isolamento, discriminação, comentários maldosos, agressões físicas, verbais e psicológicas. Todos esses comportamentos podem ser observados na escola. Comportamentos estes, que transformam a vida escolar das crianças em um verdadeiro problema e estresse.

Este fenômeno recebe o nome de bullying. Deriva do verbo inglês bully que significa usar a superioridade física ou moral para intimidar alguém. Esse termo foi adotado por vários países para definir todo tipo de comportamento agressivo, intencional e repetitivo que acontece nas relações entre as pessoas. Trata-se de um problema mundial que ocorre em todas as escolas.

De acordo com pesquisadores quem pratica o bullying geralmente são pessoas antipáticas, que gostam de ser admiradas, que se acham superiores, têm caráter violento e perverso. Podem ser de ambos os sexos e tem habilidades para influenciar um determinado grupo devido ao seu poder de liderança. Não gostam de seguir regras e não aceitam ser contrariados. Normalmente vêm de famílias desestruturadas onde não recebem afeto e amor além de presenciarem violências dentro da própria casa.

As vitimas são divididas em duas categorias: provocadora e agressora. A vítima provocadora refere-se aquela que provoca situações agressivas que não consegue lidar. Briga e confronta quando é agredida, mas não consegue se defender. Normalmente são crianças hiperativas que não tem conhecimento sobre habilidades sociais ou assertividade. Já a vítima agressora repete os atos agressivos sofridos e pode ainda procurar outras vítimas mais vulneráveis e fracas tanto dentro da escola quando fora dela para cometer maus tratos.

As testemunhas ou espectadores é a grande parte dos alunos que convivem com essa violência e se calam por medo de se transformarem em alvos para os autores de bullying. Embora não sofram esses tipos de agressões, podem se sentir incomodados, inseguros e confusos por não saberem o que fazer.

O papel dos educadores é muito importante nesse processo. Precisam ficar atentos aos comportamentos dos alunos durante todo o tempo que a crianças permanecem na escola. Devem observar se existem crianças isoladas e separadas do grupo, machucadas, com medo de falar na sala aula, ultimo a ser escolhido na hora da brincadeira, triste ou com baixo desempenho escolar, esses são alguns comportamentos que as vitimas pode apresentar enquanto alvo do agressor. Já o agressor ameaça, insulta, ridiculariza, humilha, faz gozações, incomoda, dá ordens, e coloca apelidos nos outros. É de extrema importância a escola administrar esse assunto de uma forma bastante aberta, com varias informações a respeito tanto para os pais quanto para os alunos. Isso deve ser assunto de rotina nos corredores da escola. Bullying existe em todos os lugares e a instituição que nega sua ocorrência ou não conhece o problema ou não querem enfrentá-lo. A escola tem o dever de lutar e manter a integridade física e psicológica das crianças. E essas têm o direito de freqüentarem um ambiente saudável além do aprendizado.

A família deve manter um ambiente estruturado em casa com amor, afetividade e limites. Não há receita de como educar um filho, mas todos sabem que o amor vence e resolve qualquer obstáculo na vida. Uma pessoa transmite amor quando o recebe das pessoas significativas. E a falta desse afeto pode gerar pessoas agressivas. Importante também os pais ficarem atentos aos primeiros sinais de bullying em casa. Observem se seus filhos reclamam de dores de cabeça, tontura, dor de estomago, enjôos, mudança no apetite, apresenta desculpas para faltas às aulas, mudanças freqüentes de humor, agressividade, se têm poucos amigos, se as roupas chegam sujas ou rasgadas da escola, se pedem dinheiro com freqüência, tristeza ou baixo desempenho escolar. É como as vitimas costumam manifestar seu sofrimento. Os agressores apresentam em casa comportamentos que abrangem superioridade, hostilidade, são desafiadores e opositores, agridem os irmãos e os pais, chegam da escola com roupas amassadas e sujas e possuem baixo limite de frustração. Na presença desses sintomas os pais devem tomar providências junto à escola e procurar orientação de profissionais como psicólogos, pedagogos ou psiquiatras em casos extremos.

O bullying é um problema sério para ser resolvidos em comunidade. Para reduzi-lo é essencial a cooperação de todos, principalmente dos pais, professores, funcionários, diretores e alunos. Todos os alunos de certa forma estão envolvidos. Todos sofrem. Crianças com experiências marcantes como essas poderão se tornar adultos inseguros, com baixa auto-estima, indefesos, introspectivos, com problemas nas interações sociais, ou até mesmo se transformarem um autor de bullying no seu ambiente de trabalho, por exemplo. Dependendo da intensidade e gravidade da experiência podem se tornar pessoas frustradas, desajustadas a ponto de desenvolverem comportamentos anti-sociais ou psicopatas.

Cleonice Andrade
Psicóloga clinica especialista: terapia cognitiva comportamental
CRP: 12/04023
Cleowitt@hotmail.com



CUIDADO COM AS ARMADILHAS QUE EXISTEM NOS RELACIONAMENTOS

As armadilhas que levam uma vida conjugal se transformar em conflitos são as seguintes distorções cognitivas:

• Crer que só o relacionamento conjugal pode tornar alguém completo (ilusão). Ninguém jamais cuidará de nós, como nós mesmos.

• Crer que o outro deva entender tudo. É ilusão pensar que um parceiro possa adivinhar o pensamento do outro sem que este o exprima. Com o passar do tempo a personalidade de cada um muda, o que ia bem antes pode não ir bem agora e vice-versa.

• Crer que em um bom relacionamento a pessoa deva deixar de ser ela mesma (ilusão). Cada um é único, cada um tem personalidade e neuroses próprias. Cada um deveria respeitar e valorizar as opiniões e a mentalidade do outro.

• Crer que em um bom relacionamento se deve modificar o próprio comportamento. Um bom casamento é fundamentado na aceitação do outro.

• Crer que o sucesso da relação dependa da afinidade das características pessoais. Amar equivale a ter os mesmos gostos, a mesma personalidade (ilusão). Não se faz outra coisa senão tentar encontrar um parceiro semelhante a si mesmo, o medo das discussões, dos confrontos, do amor. Veja por outro ângulo: As aceitações das diferenças são sinônimas de força, de civilidade, de inteligência, abertura a novas experiências, a novos modelos, a novos valores, a vida.

• Crer que um casamento deve ser estático. A existência humana é constituída de fracassos e sucessos, de bons e maus momentos, de gratificações e desilusões. Crer na estabilidade do casamento e nas ausências de brigas é uma ilusão. Ter sentimentos contraditórios em relação a uma pessoa pode ser um sinal de que a conhece melhor e não a idealiza.

• Crer que em um bom relacionamento deve haver muito sexo. Sexo é a comunicação mais intima entre o casal, mas é ilusão pensar que a freqüência das relações sexuais represente o grau do amor.

• Crer que um casamento não precisa de tempo. Querer fazer tudo, em geral, significa não fazer bem. É preciso fazer escolhas, renunciar a alguma coisa. É ilusão exigir perfeição no trabalho, na família ou no relacionamento amoroso, é impossível conseguir uma realização satisfatória em todos os três setores.

• Crer que uma boa relação pode ser conseguida sem esforço, sem consciência (nada mais irreal). As discussões surgem para o crescimento e fortalecimento da união. Quem quiser permanecer casado vai precisar experimentar um pouco de desconforto. Não existe progresso sem desconforto. Por que no casamento seria diferente? Tem que se esforçar sim.

(Baseado no livro de Valério Albisetti, 2001)

Cleonice de Fatima de Andrade
CRP:12/04023

terça-feira, 18 de outubro de 2011

TRANSTORNO BIPOLAR DE PERSONALIDADE

O transtorno bipolar se caracteriza por alterações de humor, com recorrência de episódios depressivos e maníacos ao longo da vida. O estado de humor depressivo se manifesta por tristeza, desânimo, lentificação, falta de energia, perda de prazer, melancolia, etc. E por mania entende-se que se trata de um estado de humor, eufórico, ligado, acelerado, irritável, elétrico, de curto período de sono, impulsividade nos gastos, indiscrição, fala rápida, pensamentos acelerados e de grandiosidade, relacionamentos curtos e turbulentos com alto desejo sexual. É considerada uma doença complexa que afeta cerca de 1,5% dos homens e mulheres em todo o mundo. Cerca de metade desses pacientes relatam vivenciar oscilações bruscas do humor que podem durar de algumas horas a poucos dias. E são nestas oscilações de humor que há maior risco de tentativas de suicídio e geralmente sem um planejamento, ou seja, impulsivamente.

• Este transtorno de humor pode surgir praticamente em qualquer momento da vida, apesar de ser mais comum entre os 15 e 30 anos de idade. O paciente portador deste distúrbio demora até perceber que algo está errado por considerar o humor eufórico normal e positivo. Portanto, é muito mais fácil a pessoa que convive com o paciente perceber que algo anormal está acontecendo. As queixas iniciam-se pelas reclamações dos familiares que encontram dificuldades para se relacionar com a pessoa doente. Já que se trata de temperamento forte, intenso, energético, festivo, aventureiro e a alteração para humor depressivo de uma hora para outra. Por isso a definição "bipolar", porque expressa os dois pólos de humor que se alternam de depressão a mania. Como a bipolaridade pode alterar o ritmo da vida do indivíduo é necessário acompanhamento com psiquiatra para a medicação assim como psicoterapia para torna-lo mais funcional no seu dia-a-dia.

• A terapia cognitiva é bastante eficaz em seus resultados. Pois é uma terapia estruturada, orientada para a solução de problemas, que envolve a colaboração ativa do paciente e terapeuta para atingir as metas estabelecidas. Os objetivos dos cognitivistas no transtorno bipolar são:

• Educar os pacientes e familiares sobre o problema, seu tratamento e dificuldades associadas à doença;

• Instruir sobre os métodos para monitorar a ocorrência e a gravidade dos sintomas:

• Instruir ao paciente como identificar, desafiar e modificar pensamentos automáticos negativos que o prejudicam na aceitação do tratamento com medicamentos;

• Ensinar técnicos não- farmacológicas para lidar com os problemas;

• Ajudar o paciente a enfrentar fatores estressantes que possam estar interferindo no tratamento;

• Ajudá-lo a aceitar a doença;

• Aumentar a tolerância e proteção da família assim como diminuir o trauma e preconceitos associados à doença.

• A terapia consiste em identificar padrões de pensamentos disfuncionais, devolvendo ao paciente a flexibilidade, controlando a impulsividade e conscientizando-o das razões e significados de certas atitudes, emoções e pensamentos.

• É importante salientar que nossas emoções e comportamentos são derivados de nossos pensamentos. Portanto, se faz necessário identificar distorções do pensamento para que sejam alterados por pensamentos mais realistas. Quando isso acontece ocorre uma melhora significativa nas emoções do indivíduo levando-o a viver de forma funcional e melhor qualidade de vida. O acompanhamento dos familiares também é de fundamental importância para que haja um bom relacionamento. Pois alguns familiares podem aproveitar o diagnóstico do paciente para vencer uma discussão, afirmando que este último está surtando quando na verdade está reagindo adequadamente a alguma situação. Ao adquirir a flexibilidade através da reestruturação cognitiva o paciente assim como qualquer outra pessoa estará apta a ser exagerado e emocional para as coisas boas e ponderado e racional para as coisas ruins.

• Não se pode esquecer que o tratamento do bipolar é de longo prazo e grande expectativa em relação a uma rápida melhora pode trazer frustrações.

• DR. DIOGO LARA (2004), ESPECIALISTA EM T.B. SALIENTA QUE o paciente portador deste distúrbio demora até perceber que algo está errado por considerar o humor eufórico normal e positivo. Portanto, é muito mais fácil a pessoa que convive com o paciente perceber que algo anormal está acontecendo - as queixas iniciam-se pelas reclamações dos familiares que encontram dificuldades para se relacionar com a pessoa doente - j á que se trata de temperamento forte, intenso, energético, festivo, aventureiro e a alteração para humor depressivo de uma hora para outra. Por isso a definição "bipolar", porque expressa os dois pólos de humor que se alternam de depressão a mania. Como a bipolaridade pode alterar o ritmo da vida do indivíduo é necessário acompanhamento com psiquiatra para a medicação assim como psicoterapia para torna-lo mais funcional no seu dia-a-dia.




CLEONICE DE FÁTIMA DE ANDRADE
CRP: 12/04023



Cleonice de Fátima de Andrade é Psicóloga / Terapeuta Cognitiva em Joinville.
Especialista e Supervisora Clinica

DEPRESSÃO: O MAL DO SÉCULO

DEPRESSÃO: O MAL DO SÉCULO

• Atualmente estamos vivendo em uma época de grandes mudanças. Mudanças essas que exigem do ser humano, a cada dia que passa, maior tolerância em superar frustrações. Pessoas com dificuldades de lidar com frustrações têm maior probabilidade de desenvolverem episódios depressivos. Pois estes acabam criando altas expectativas e estabelecendo metas irrealistas com o objetivo de acompanhar os valores determinados pela sociedade.

• Os cognitivistas afirmam que a depressão ocorre quando estamos tentando viver de acordo com o que pensamos que devemos ser e não com o que podemos ser. Pessoas que pensam dessa forma evitam até mesmo em procurar ajuda de especialistas para enfrentar momentos de crises. Muitas pessoas se envergonham por estarem depressivos, se considerando fracos. A depressão é um problema comum vivenciado por um grande percentual de pessoas. Inclusive, na opinião de alguns pesquisadores, estamos convivendo com uma epidemia internacional de depressão.

• Portanto todos poderiam se conscientizar disso e entender que, assim como procuram ajuda de um médico quando percebem sintomas físicos que podem indicar pneumonia, por exemplo, também podem procurar ajuda de psicólogos e psiquiatras quando percebem sintomas de depressão, ansiedade ou qualquer outro problema psicológico.

• A depressão apresenta diversos sintomas: fadiga, alteração do humor, baixa auto-estima, culpa, raiva, irritabilidade, distúrbio do sono, desinteresse sexual, aumento ou diminuição do apetite, isolamento, autocrítica exagerada, desesperança, pensamentos ou tentativas suicidas, desmotivação para realizar atividades diárias que são dominadas pela protelação, entre outros. Os pensamentos negativos tomam conta da mente dessas pessoas que acabam orientando seus comportamentos.

• O fundador da terapia cognitiva Aaron Beck orienta as pessoas a se conscientizarem de sua forma de pensar sobre si mesmo, o mundo e o futuro. Pessoas que estão depressivas pensam diferentes de pessoas que não estão depressivas. Portanto, não é a situação em si que leva a uma emoção, mas sim a interpretação que damos a essa situação que leva a emoção e a um comportamento. São nossos pensamentos que determinam o que sentimos e quais serão nossos comportamentos em seguida.

• Pensar adequadamente para vencer a depressão não significa necessariamente trocar os pensamentos negativos por outros positivos, mas sim mudar para pensamentos lógicos e realistas. Se um indivíduo aprende a identificar seus pensamentos, desafiá-los e torná-los lógicos, suas emoções serão menos intensas, mais controláveis e realistas, tendo como resultado comportamentos mais eficientes ao lidar com os problemas.

• Ao se sentir depressiva, a pessoa costuma ter avaliações negativas sobre si mesma, estabelece metas altas e difíceis de serem alcançadas, trazendo então, uma sensação de fracasso, de inadequação e sentimento de inferioridade em relação às outras pessoas.

• O estado depressivo faz a pessoa se concentrar nas suas falhas, ignorar seus pontos positivos, e interpretar incorretamente as experiências do passado e do presente. O indivíduo acaba se concentrando em fatos que comprovam seus sentimentos de derrota, ficando exageradamente sensível a críticas e à rejeição. Além disso, espera com maior probabilidade que experiências desagradáveis venham a acontecer no futuro, passando a sofrer antecipadamente por algo que ainda não acorreu, gerando ansiedade e desesperança.

• Portanto, para vencer a depressão precisamos nos conscientizar mais sobre a relação entre pensamentos, emoções e comportamentos. Não esquecendo que para isso é necessário o acompanhamento de um profissional especializado. Identificar, desafiar e modificar pensamentos e crenças parece simples, mas não é. Falsos pensamentos positivos podem ser tão prejudiciais quanto os negativos. Pois eles podem criar expectativas ilusórias que poderão conduzir o indivíduo a emoções de fracasso e desamparo, caso os resultados não sejam os esperados.

• Um terapeuta cognitivo especializado ensina o paciente a ser seu próprio terapeuta e seguir adequadamente o modelo cognitivo de acordo com o problema apresentado, além de trabalhar em conjunto com o médico que acompanha o caso e prescreve a medicação adequada. Sempre lembrando que a depressão, se não for tratada, pode ser tão prejudicial quanto qualquer outra doença orgânica. Assim como algumas doenças são fatais, a depressão também pode levar um indivíduo à morte através do suicídio.



CLEONICE DE FÁTIMA DE ANDRADE
CRP: 12/04023



Cleonice de Fátima de Andrade é Psicóloga / Terapeuta Cognitiva em Joinville.
Especialista e Supervisora Clinica

MANIAS:NORMAL OU PATOLOGICO??

Nos últimos anos os profissionais da saúde e também a mídia estão mais envolvidos e preocupados com o "todo" (mente e corpo) do ser humano. E com isso, muitas informações técnicas, que ficavam nas prateleiras das bibliotecas, nas livrarias e na mente dos profissionais de cada área, estão sendo reescritas e traduzidas de forma mais acessível ao entendimento da população em geral. O que tem contribuído demasiadamente pela procura por profissionais da saúde mental, mas também deixando muitas dúvidas entre o que é o normal e o patológico. É gratificante saber que a cada dia as pessoas estão se dando conta que os problemas emocionais não são coisas de outro mundo, mas sim como qualquer outra doença orgânica são identificáveis, têm uma causa e tratamento.

• O transtorno obsessivo compulsivo, por exemplo, está cada vez mais em evidência para a procura de ajuda externa, pois leva o indivíduo a um intenso sofrimento se não for tratado. O que é o transtorno obsessivo compulsivo? Ele é caracterizado pela presença de obsessões - pensamentos, idéias ou imagens recorrentes e desagradáveis que invadem a mente da pessoa causando uma intensa ansiedade. Quando o indivíduo é tomado por essa ansiedade ele tenta reduzi-la através das compulsões que popularmente chamamos de manias ou rituais. As compulsões são comportamentos, ações ou atitudes repetitivas que a pessoa adota para aliviar seu sofrimento e reduzir o sentimento que acompanha os pensamentos desagradáveis, intrusivos, indesejáveis e repetitivos. E quanto mais tenta deter esses pensamentos mais ela os tem. Esses pensamentos normalmente estão relacionados ao medo de que algo terrível vai acontecer se ela não tentar neutralizá-los fazendo alguns rituais. As obsessões mais comuns são: de conteúdo sexual (pensamentos obscenos, imagens pornográficas recorrentes, impulsos incestuosos), de agressão (preocupação em ferir os outros ou a si mesmo), de contaminação (preocupação com sujeira, germes, vírus ou bactérias), de armazenagem (colecionar coisas), de caráter religioso (pensamentos de escrupulosidade, blasfêmias, pecado), de simetria (organização de objetos, roupas), somática (preocupação excessiva com doenças) e de dúvidas (preocupação com o fato de não confiar em si, questionar-se se fez algo certo ou errado - fechei as portas?, desliguei o ferro?). A partir desses pensamentos, as pessoas desenvolvem os rituais ou manias para tentar evitar o pior. Alguns acabam então, lavando excessivamente as mãos, tomando banhos intermináveis, limpando a casa várias vezes no dia, fazendo organizações exageradas, guardando coisas sem utilidades, evitando contato com objetos com medo de que estejam contaminados. Outros acabam conferindo inúmeras vezes as janelas, portas, fogões, torneiras. Outros ainda fazem rituais de contagem, entulham jornais, ligam e desligam o interruptor de luz, entram e saem pela mesma porta. Enfim são inúmeras os rituais por eles executados. Se esses rituais não forem cumpridos o portador do transtorno obsessivo compulsivo fica cada vez mais ansioso, e quanto mais ansioso se sente, maior é a urgência de fazer alguma coisa que impeça a tragédia.

• Quando esses rituais são realizados a ansiedade passa por um pequeno período de tempo. Porém, logo os mesmos pensamentos tornam a incomodar o individuo trazendo novamente a ansiedade, fazendo-o começar tudo de novo.

• Como posso saber se tenho Transtorno Obsessivo Compulsivo? De acordo com Ana Beatriz Barbosa Silva, autora do livro Mentes & Manias (2004), o TOC possui algumas características essenciais que podem indicar a presença da patologia diferenciando da mania "normal" que todos nós temos. Essas características são: a longa duração em banhos, mãos avermelhadas e pele descamativa, cabelos sempre molhados, gasto exagerado de sabonetes, xampus, produtos de limpeza e papel higiênico, demora em se vestir, atrasos constantes, repetições de algumas perguntas aparentemente sem sentidos, lentidão na execução de tarefas cotidianas, alteração no rendimento escolar, profissional, social e afetivo, conferência constante de gás, portas, janelas, luzes, bicos de fogão, interesse exagerado por determinadas doenças e tempo demais gasto com a limpeza da casa, entre outros. Os obsessivos com freqüência levam vidas chatas, tediosas e insatisfatórias, sofrendo de depressão e também podem freqüentemente se queixar de dores na cabeça, dores lombares e úlcera.

• É importante salientar que muitos escondem essas características por acharem ridículas, ficam envergonhadas e acabam se isolando do mundo. Mas a conscientização dos problemas é um grande passo para a mudança e melhora do distúrbio. É interessante a família ficar atenta e oferecer ajuda caso seja necessário, pois o portador deste transtorno sofre demais e gasta muita energia perdendo tempo no seu dia-a-dia já que os rituais podem levar horas para serem realizados.

• O TOC tem tratamento e é controlável. A procura de um terapeuta cognitivo e de um psiquiatra é de fundamental importância para a cessação dos pensamentos e rituais recorrentes. O tratamento cognitivo focaliza-se na redução do comportamento de evitação e aumento na exposição a situações e pensamentos problemáticos, sobre a modificação de atitudes relativas as responsabilidades, sobre a modificação da avaliação dos pensamentos intrusivos, sobre a prevenção da neutralização e sobre o aumento da exposição às responsabilidades, assim como a cessação da busca de reasseguramento (verificação das coisas). A terapia cognitiva aplica técnicas voltadas mais especificamente à mudança dos pensamentos e crenças que estão envolvidos de forma mais direta na produção do sofrimento nos pacientes obsessivos.



CLEONICE DE FÁTIMA DE ANDRADE
CRP: 12/04023



Cleonice de Fátima de Andrade é Psicóloga / Terapeuta Cognitiva em Joinville.
Especialista e Supervisora Clinica

CASAMENTO EM CRISE

Se pararmos um pouco com nossas atividades do cotidiano e observarmos a nossa volta, vamos nos deparar com um grande percentual de separação entre casais. Se conversarmos com algumas dessas pessoas observaremos seus sentimentos de desilusões e frustrações que ocorreram em seu relacionamento conjugal. E muitas vezes ouvimos: "Onde este mundo vai parar? O que está acontecendo com aquele amor que transformava os relacionamentos em casamentos duradouros antigamente e nos pouquíssimos que hoje se mantêm?".

• Para responder estas e outras perguntas pode-se encontrar nos estudos, nas pesquisas, e nas experiências profissionais fatos que comprovam que os indivíduos mantêm alguma esperança com relação às necessidades que serão atendidas pelos cônjuges. Percebe-se que a maioria tem expectativas altas e irreais sobre o que espera do companheiro. Estas crenças disfuncionais, infelizmente, são reforçadas quando assistimos a novelas, a filmes românticos, a propagandas, quando ouvimos histórias ou vemos fotos de uma família perfeita e feliz. Quando nos deparamos com imagens como essas, nos espelhamos em certos personagens e imaginamos que a perfeição existe, uma perfeição que na realidade é inalcançável. Uma história como a Bela Adormecia, por exemplo, termina com "e viveram felizes para sempre", deixando a ilusão de que não existem conflitos entre pessoas que se amam. Então após algumas discordâncias, discussões e brigas o casal chega à conclusão de que estão infelizes e precisam procurar a felicidade em outro lugar ou com outra pessoa. Pensamentos distorcidos como "uma pequena mudança não é suficiente. Temos de mudar muito. A solução precisa ser perfeita. O outro precisa me fazer feliz. Se estamos brigando é porque nos odiamos", entre muitos outros pensamentos comuns no dia-a-dia do casal, se transformam em crenças disfuncionais que colaboram e influenciam para uma decisão precipitada a cerca do casamento, provocando a separação, antes mesmo de conhecer a realidade de um relacionamento conjugal. Existem pessoas que passam sua vida inteira à procura de uma realização pessoal baseadas em uma crença distorcida da realidade. Correm atrás de uma perfeição que não existe.

• Precisamos ficar atentos a certas armadilhas que levam uma vida conjugal a se transformar em conflitos. Se quisermos melhorar o relacionamento precisamos nos concentrar na realidade. Identificar, em colaboração com um terapeuta cognitivo, pensamentos distorcidos e disfuncionais, desafiá-los e modificá-los. Um terapeuta especializado está preparado para ajudar essas pessoas. Antes de tomar uma decisão sobre uma separação é de extrema importância esta verificação e correção de pensamentos distorcidos que podem levar um indivíduo a experimentar sentimentos desagradáveis, mas que podem ser evitados ou reparados.



CLEONICE DE FÁTIMA DE ANDRADE
CRP: 12/04023



Cleonice de Fátima de Andrade é Psicóloga / Terapeuta Cognitiva em Joinville.
Especialista e Supervisora Clinica